Os monitores da Apple já foram o máximo que alguém podia desejar para fazer par com os computadores da marca. Seus famosos Cinema Displays, com telas de 22 a 30 polegadas, foram sonho de consumo durante mais de dez anos, entre 1999 e 2011, mas começaram a cair no conceito do segmento profissional depois que abandonaram as telas matte (foscas) em prol das glossy (brilhantes), nos idos de 2008. O último modelo, o LED Cinema Display de 27 polegadas, foi lançado em 2010 e ficou no mercado durante pouco menos de um ano (se bem que ainda pode ser adquirido no site da Apple). Em seu lugar, entrou o Thunderbolt Display objeto desta coluna.
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Tela por tela, o LED Cinema Display e o Thunderbolt Display são rigorosamente o mesmo produto: um painel IPS (In-Plane Switching) de 27 polegadas iluminado por LED e com resolução de 2.560 x 1.440 pixels, brilho de 375 cd/m2, tempo de resposta de 12ms, contraste de 1000:1 e ângulo de visão de 178 graus, tanto na horizontal quanto na vertical. Não é o maior nem deve ser o melhor painel do mercado, mas também não decepciona. Em tempos de “Retina Display”, sua densidade de pixels de 109 pontos por polegada fica pouquíssimo aquém dos 129 ppi do Retina Macbook (para efeito de comparação, o Novo iPad tem 264 ppi e os iPhones 4 e 4S têm 330) – o que, considerando-se que a distância de uso do monitor deve ser um pouco maior, talvez até o habilitasse a receber o título.
Externamente, o Thunderbolt Display de 27 polegadas também é práticamente idêntico ao seu antecessor – o que não chega a ser ruim. O design minimalista, com construção em alumínio e o painel frontal de vidro com moldura preta, combina perfeitamente com a geração atual de Macbooks Air e Pro – inclusive o Retina Macbook Pro que avaliei recentemente. Pena que o suporte espartano careça de ajuste de altura. Mais do que combinar esteticamente, no entanto, o Thunderbolt Display se integra aos mais recentes Macbooks como nenhum outro monitor – e é aí que está seu principal atrativo.
Com o emagrecimento de seus portáteis, a Apple foi se forçando a abrir mão de várias opções de conectividade. Pois o mais novo monitor da marca consegue suprir algumas dessas necessidades justamente graças à engenhosidade do padrão Thunderbolt: plugado ao computador por um único cabo de dados, o monitor se transforma em uma espécie de docking station que completa e expande a capacidade do notebook conversar com o mundo externo. Na traseira do Thunderbolt Display, encontramos três portas USB, uma Firewire, uma Gigabit Ethernet e uma Thunderbolt, para ligar outros dispositivos em série – inclusive outros monitores, já que o Retina Macbook suporte até três telas extras.
A webcam embutida no monitor também ganhou um upgrade: a iSight do modelo anterior deu lugar a uma FaceTimeHD com captura de vídeo em 720p e microfone. E, por falar em mutimídia, há também tem um sistema de som de 49W em 2.1 canais que parece mágico, pois sem ligar qualquer cabo de áudio e nenhum alto-falante visível ele consegue melhorar consideravelmente o som do seu notebook. Para falar a verdade, mesmo depois de ler nas especificações que o monitor tinha som integrado, só acreditei depois de colocar uma música para tocar. Procurando, dá para perceber que a superfície inferior do monitor tem aqueles minúsculos furinhos das laterais dos Macbooks de 15 polegadas, mas normalmente ninguém percebe.
Para completar, o Thunderbolt Display, assim como seu antecessor, tem um cabo de força com conector MagSafe para alimentar a bateria dos notebooks da marca, eliminando a necessidade de ligar aquele tijolinho branco na tomada. Para quem costuma levar o notebook para um lado e para o outro, a possibilidade de deixar o adaptador de força na mochila quando estiver usando o portátil ligado ao monitor é bem conveniente – e economiza os US$ 79 que custaria um adaptador extra. Ah, e para os felizes proprietários de Macbooks que já usam o conector MagSafe 2, não é preciso se preocupar: o Thunderbolt Display vem com o diminuto adaptador para torná-los compatíveis, então não será preciso pagar mas US$ 10 por um.
Devo confessar que o Thunderbolt Display não chega a ser uma novidade, mas só agora tivemos a oportunidade de experimentar um. Lançado há quase um ano, o modelo deve estar para ser substituído nos próximos meses. Rumores dão conta de que uma versão com tela retina estaria a caminho, mas a volta do modelo de 30 polegadas ou algo ainda maior também seria bem vinda. Mesmo que isso não aconteça, a Apple deveria pelo menos atualizar os conectores USB para o padrão 3.0, recém-adotado em seus novos computadores.
No final das contas, minhas impressões depois de usar o Thunderbolt Display por alguns dias são um tanto ambivalentes. O monitor é lindo, como quase tudo o que a Apple faz, mas o preço na casa dos US$ 1000 é salgado, também como o de quase todos os produtos da marca. Complementa perfeitamente meu Macbook e poderia eliminar diversos cabos da mesa – sem falar que poder deixar tudo plugado no monitor é bem prático – mas tão cedo não poderá ser usado com um PC, caso eu venha a precisar. A tela maior que o Dell Ultrasharp de 23? a que eu estava acostumado agrada ao permite abrir duas páginas lado-a-lado com conforto, mas perde para o Ultrasharp de 30? que se poderia adquirir pelo mesmo preço do modelo da Apple. E aí, vale a pena pagar mais caro pela conveniência e design? Sinceramente, não sei. O que vocês acham?
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