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Discussão: universidades não atendem demanda do mercado de TI

As universidades têm uma boa grade curricular e formam bons profissionais, porém o número de trabalhadores que saem dos centros de ensino ainda é bem menor do que a demanda exigida pelas empresas. A conclusão surgiu durante o painel ?Indústria e Academia? que ocorreu nesta quarta-feira (26/10) durante o Intel Software Day, em São Paulo.

Esse fenômeno acontece por diferentes causas abordadas pelos especialistas que fizeram parte da mesa de debates.

  • Lacuna entre formação universitária e necessidade de mercado: a professora do Mackenzie Denise Stringhini, afirmou que muitos de seus alunos já saem empregados do curso, mas que existe sim um gap entre a formação profissional que o mercado precisa e a formação que as faculdades dão. ?E eu acredito que as empresas precisem mais de conhecimento prático. Mas nós somos avaliados pelo MEC, que exige uma formação bem conceitual, bastante teórica?, explica.
  • Evasão de alunos: o diretor de capacitação e inovação da Softex, John Forman, levantou um dado interessante: existem determinados cursos na área em que a evasão chega a 70%. Esse fenômeno também é observado por Denise. ?Os alunos não concluem o curso, porque muitos entram nas universidades e não sabem o que é TI direito.? Forman completa: ?esse é um problema grave, precisamos saber como aumentar esse interesse pelos cursos de TI?.
  • Preço da mensalidade: os cursos de TI em universidades particulares são bastante caros na visão de Denise. Ela explica que o custo dos laboratórios e da infraestrutura é muito alto e que ele é repassado, em parte, para os alunos, o que faz com que menos pessoas se interessem por eles.
  • Baixa procura: a professora ainda levantou esse ponto como conseqüência do item anterior somada à visão que os adolescentes têm do profissional de TI. Para muitos, as pessoas que trabalham na área são nerds e essa perspectiva afasta os vestibulandos dos cursos para a área. ?Muitos acham que a computação é coisa de nerd e ninguém se vê como um nerd.? E complementa. ?A procura desses cursos pelo público feminino também é muito baixa. Acho que essa falta de interesse também é falta de informação.?

Com tantas adversidades, o déficit chega a 70 mil profissionais hoje e só tende a aumentar, de acordo com Sérgio Sgobbi, diretor de educação e recursos humanos da Brasscom. ?Esse cenário vai piorar bastante. Os dados que nos compilamos com o IDC mostram que o mercado de TI cresceu 13% no ano passado e que para este ano as projeções falam em 15%.?

E o que fazer para reverter essa situação? O professor da USP Roberto Cesar acredita que é necessário uma integração entre as faculdades e as empresas na hora da formação dos alunos e na elaboração da grade curricular. ?Saída é o trabalho em conjunto com o mercado?, pontua.

 

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