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Diretor da ONU, brasileiro cita benefícios da gestão por projeto

Gestão por projetos não se encaixa 100% para todas as empresas. Fato. Contudo, o conceito serve como uma luva em organizações que atuam em um mercado altamente competitivo, volátil e de alto risco. Qualquer semelhança com a realidade do segmento de tecnologia não é mera coincidência.

?Segmentos mais estáveis e de menor competitividade permitem que você se dê ao luxo de ter um processo um pouco mais lento?, comenta Ricardo Vargas, diretor mundial de projetos na Organização das Nações Unidas (ONU) e voluntário no PMI (Project Management Institute). ?O que tem acontecido é que cada vez menos empresas estão na zona de conforto?, acrescenta o executivo que atua na operacionalização das decisões diplomáticas da entidade e visitou o Brasil para falar sobre o tema.

De acordo com o brasileiro que vive na Dinamarca (e não perdeu o sotaque de Minas Gerais), organizações que não são fortes nos aspectos de gerenciamento arriscam nove vezes mais dólares em projetos do que as organizações com programas e abordagens maduras nesse quesito. ?É um gasto desnecessário e inaceitável?, julga, citando que é o momento de o Brasil tirar proveito desses recursos.

Aliás, o País avança e, aos poucos se destaca na adoção do conceito. Especula-se que essa evolução deve-se em parte devido às necessidades de adequação para receber os megaeventos dos próximos anos, ao crescimento econômico e ao impulso a inovação. Há, contudo, uma necessidade das empresas brasileiras evoluírem na percepção dos riscos que correm, principalmente aquelas que atuam em mercados muito voláteis.

?[Atuar por] projeto tem uma natureza temporária e única. Começa-se sabendo que aquilo terminará um dia?, diz Vargas, citando que essas características pedem um modelo diferenciado de gerenciamento a partir de metodologias para administrar forças críticas. Essa postura mais processual e pragmática, em algumas situações, esbarra em características da cultura nacional.

Desafio do improviso
Salvo exceções, não faz parte do dia a dia do brasileiro o ato planejar. ?Improviso é bom em cenário de emergência. Mas é péssimo à medida que te dá uma autoconfiança que diz que não é preciso planejar nada?, comenta Vargas, que cita cinco pontos críticos referentes a gestão de projetos:

1. Contratar pessoas qualificadas;
2. Criar um plano de execução realista;
3. Garantir alto nível de suporte de gerenciamento;
4. Definir benefícios esperados;
5. Gerenciar de forma eficaz a mudança associada com o projeto.

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