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Digitalização pós-pandemia leva segurança cibernética aos conselhos de administração

Em sequência aos meus artigos sobre esta tendência, em especial de 23 de dezembro de 2021, pesquisa recente divulgada pela consultoria de negócios McKinsey confirma várias tendencias que se iniciaram durante a pandemia. Dentre as mais relevantes são a forte adoção de tecnologias de nuvem e um grande foco e expansão dos investimentos em segurança.

Estes dois grandes vetores levaram as empresas consideradas líderes em seus segmentos a expandirem a defasagem tecnologia em relação aos seus competidores diretos. Aquelas que captaram a pandemia como uma oportunidade única investiram fortemente em suas plataformas, serviços e produtos digitais elevando suas defesas na dimensão cibernética para suportar este movimento e permitindo colocar rapidamente no ambiente de produção novas aplicações.

Houve uma mudança substancial no cenário de ameaças no último ano com a disseminação de ataques via ransomware (atingindo U$ 10.5 trilhões em danos em 2025) sendo a principal barreira a aceleração das transformações digitais (41% x 30% da pesquisa pre-pandemia). A elevação da importância da segurança cibernética para as estratégias corporativas foi confirmada por 62% dos entrevistados x 45% nos últimos 02 anos e com relação aos planos de investimentos para o período seguinte (2022-2024), 58% afirmaram que iram expandir substancialmente versus 26%.

São números que falam por si mesmos e reafirmam previsões, de forma até surpreendente em relação ao fator tempo, daquilo que venho trabalhando. Vejo como uma corrida de recuperação ao tempo perdido que um fato inesperado como a pandemia gerou. Um súbito despertar e senso de urgência para a rápida aceleração de projetos de transformação digital e para ser possível e viável economicamente, gerencias os riscos inerentes desta nova dimensão predominante do ambiente de negócios.

Enfrentei este tema nos meus livros, Risco Digital (2006 e 2015) porque era algo muito claro que iria acontecer, porém por diversos motivos foi sendo adiado e tratado como baixa prioridade.

Quando leio que 73% dos executivos / C-level agora são incentivados a envolver as áreas técnicas nas estratégias corporativas (contra apenas 31% na pre-pandemia) percebo quão rapidamente as mudanças estão ocorrendo e torna-se ainda mais evidente o reflexo negativo no outro grupo de empresas que preferiram manter uma posição mais conservadora durante este período. Terão de buscar caminhos para serem ainda mais rápidas e ágeis para ao menos manterem suas posições ou ao menos sobreviver no mercado nas condições adversas que se colocaram.

Quanto aos conselhos cabe avaliar decisões sobre quatro das principais formas de geração de valor resultantes das transformações: aumentar receitas através dos mecanismos existentes, gerar novas receitas por diferentes mecanismos de interação com o mercado, reduzir os custos operacionais e aumentar os níveis de satisfação dos empregados. Mantendo o foco nas questões principais de gerenciamento dos riscos, reputação e continuidade dos negócios.

Para responder estas questões de forma dinâmica e proativa torna-se uma decorrência natural e mesmo critica, a presença de conselheiros independentes na dimensão cibernética combinando conhecimentos e linguagem de comunicação adequadas para colaborar nos níveis estratégicos da gestão corporativa no mundo digital pós-pandemia.

* Leonardo Scudere é Cyber Security Sales & Strategy; Risk Management; Digital Transformation Executive – THUNDERBIRD, the American Graduate School of International Management

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