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Design Thinking: solucione desafios com a ajuda do modelo

Com certeza, em algum momento você já teve aquela sensação de já conhecer uma pessoa ou lugar, mesmo estando certo de que é a primeira vez que conversa com aquela pessoa ou vai ao local. Não estranhe, isso faz parte de um processo natural definido como “modelo mental”, como explica o professor Marcos Telles, durante a palestra “Design Thinking na liderança: criatividade e geração de ideias”, que ocorreu no IT Forum Expo/Black Hat, realizado na última semana em São Paulo.

Segundo o acadêmico, o nosso cérebro foi programado para dar sentido às coisas que acontecem no dia a dia. Dessa forma, qualquer explicação é aceita, desde que seja minimamente plausível. “Nossa cabeça trabalha com isso de maneira muito simples. Basta ver, os gregos não sabiam a origem do trovão, então simplesmente inventaram a figura de ‘Zeus’ e resolveram o problema”, comenta.

Um ser humano possui três tipos de memórias: sensorial, operacional e de longo prazo. De acordo com o acadêmico, tudo que guardamos na memória de longo prazo é feito sob a forma de “modelos mentais”, que são impressões e associações que fazemos ao ter a primeira impressão sobre alguma coisa. “Usamos essa técnica como filtro para dar sentido ao mundo e orientar nossas ações. Entretanto, cada um cria seus modelos.”

Partindo dessa abordagem, Telles afirma que o primeiro passo para prosperar no mercado corporativo é aprender a respeitar as diversidades. O professor ressalta que existem pessoas que possuem mais modelos mentais negativos, que levam a achar que tudo está sempre ruim, estando sempre frustradas. Outro tipo comum são aquelas pessoas que têm modelos mentais de teorias conspiratórias, que sempre encaram as situações de maneira desconfiada. Por fim, existem os que são “sangue de barata”, que pensam que todo tipo de problema deve ser combatido.

Diferentes modelos mentais geram diferentes ações
O modelo mental, geralmente, responde a três perguntas feitas automaticamente pelo nosso cérebro ao se deparar com situações que ainda não foram vividas. São elas: ‘o que é aquilo?’, ‘como se faz isso?’ e ‘o que eu devo fazer agora?’.  Para responder a essas informações, o cérebro se baseia nos modelos mentais anteriores adquiridos e, então, utilizará outra função, que é determinar qual modo deve ser utilizado: automático e reflexivo.

“O automático é aquilo que você já faz naturalmente. Caso eu lhe apresente palavras com as letras embaralhadas, você ainda será capaz de realizar a leitura, pois já é automático para o seu cérebro ler aquelas palavras. Agora, se eu fizesse uma pergunta sobre matemática, sua mente trabalharia no modo reflexivo, pois será necessário elaborar um raciocínio para responder da maneira correta”, explica Telles.

Dessa forma, nosso cérebro tende a ter as mesmas atitudes quando se depara diante de problemas. A tendência é procurar sempre pelo óbvio, pelo que seria o “erro comum”, e muitas vezes essa é a causa do problema não ser resolvido da maneira que deveria. “Os modelos mentais estabelecem relações e criam uma rede que constitui nosso conhecimento.”

Segundo o acadêmico, um problema é a diferença entre como uma coisa é e como ela deveria ser, a diferença entre como uma situação é percebida por uma pessoa e a situação desejada por ela. Telles conclui ressaltando que a maior dificuldade é identificar o problema.Modelos mentais nos atrapalham até na hora de definir o problema, o que nos leva a solucioná-lo de maneira errada. É preciso pensar com calma quando estiver diante de um problema e tentar evitar que os modelos mentais prejudiquem a leitura do que ocorre. Dessa forma, será possível solucionar esses casos de formas mais eficientes, que realmente resolvam o problema, e não criem apenas uma solução paliativa.” Unir estas dicas, aliadas às “soft skills”, podem ajudar as empresas e profissionais a darem um salto na qualidade da gestão de seus projetos e funcionários.

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