Design thinking como ferramenta de transformação digital

Empresas provedoras de serviços de TI já utilizam amplamente o design thinking como técnica para alavancar a inovação tecnológica nas empresas. Elas perceberam que o método propõe novas abordagens e perspectivas direcionadas a soluções inovadoras, deixando o processo mais humanizado e ainda ajudando as companhias a entrarem definitivamente na era digital.

Segundo Tim Brown e David Kelley, grandes defensores e evangelistas do assunto, o Design é a conexão entre tecnologia, pessoas e negócios e, por isso, traz o equilíbrio necessário para que se consiga inovação em um processo colaborativo e interativo, que se utiliza de equipes multidisciplinares, forte pesquisa e a busca por empatia, por se entender e conhecer o usuário final. Uma das premissas é a ênfase no processo e não no resultado. Acredita-se que que a consequência de um processo bem executado será um resultado de valor.

Profissionais de TI e Marketing se unem em espaços de inovação para pesquisar e discutir sobre os usuários, criar protótipos que podem ser de serviços, de produtos físicos ou digitais. Muitas vezes são criados os chamados MVPs (Minimum Viable Product – Produto Mínimo Viável, em português). Se utilizando das ferramentas de design thinking, mais do que permitir que cada invenção inspire clientes, por vezes há a possibilidade da utilização das mesmas soluções para outros negócios, pelo estimulo da integração entre diferentes indústrias.

Um dos pontos mais importantes do processo é a prática da empatia, por isso, muitas vezes os profissionais envolvidos são convidados a conhecer o usuário final profundamente, praticando observação, entrevistandas e até mesmo vivenciando suas atividades diárias: executando as tarefas e usando os utensílios, digitais ou não, utilizados por eles.

Um exemplo é o Bartender Biônico que serve drinks customizados feitos por robôs e é acionado automaticamente por meio de uma pulseira com sensores. O objetivo não é o foco no hardware, mas sim a experiência gerada para o usuário. Esse direcionamento ajuda a promover discussões sobre os conceitos e mostrar na prática modelos que possam se adaptar a qualquer negócio.

Design thinking é um forte acelerador para que empresas possam definitivamente entrar na Era Digital ao criar novos modelos de negócios que atendam as atuais, e cada vez mais exigentes, necessidades dos clientes. Tudo isso por meio de métodos e processos formais para a resolução prática e criativa de problemas e, como consequência, gera bons resultados e economia de recursos, pois diminui o retrabalho comum em processos tradicionais, já que o teste e a validação são premissas do pensamento.

Mas como aplicar o design thinking nas organizações? Ao contrário da abordagem utilizada atualmente, em que as etapas da produção são divididas com metas, prazos e competição entre funcionários, o conceito promove a integração entre departamentos, a cooperação e a liberdade no processo. Ter empatia com os problemas do cliente, buscando entender as suas necessidades e fazendo conexão com tecnologia é uma forma de buscar oportunidades inovadoras.

As empresas podem explorar o design thinking por meio de um grupo diversificado, multidisciplinar e permanente. Ao proporcionar liberdade criativa e disponibilidade, maior será o número de ideias inovadoras. Em seguida, deve-se aplicar todas as descobertas nos produtos e serviços do cliente. Na prática, este momento irá validar as premissas e aprimorar as soluções antes que estejam prontas para o mercado.

Um ponto importante no uso da metodologia de design thinking é que se trata de um modelo não linear, sendo que cada etapa do processo pode ser feita de forma separada e adaptada para um determinado projeto. Isto possibilita que etapas concluídas sejam revisadas e adaptadas a fim de atender a expectativa de cada cliente, acelerando a Transformação Digital.

*Euripedes Magalhães é XD Lead da Avanade Brasil

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