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Design generativo e microfábricas. O futuro da manufatura na visão da Autodesk

A humanidade passa por mais um ciclo importante na história da produção de bens. Alguns especialistas comparam o momento atual como uma nova revolução industrial. Dispositivos conectados, processamento em nuvem, colaboração sem fronteiras e a novos modelos produtivos baseados em impressão 3D criam um ambiente propício para uma disrupção na manufatura.

Andrew Anagnost, vice-presidente da Autodesk, é taxativo ao afirmar: “A forma como as coisas serão produzidas será muito diferente nos próximos anos”. O executivo embasa sua visão com transformações no modelo de financiamento e desenvolvimento de inovações, cada vez mais fragmentado e coletivo, em um movimento puxado por quatro forças: design, demanda, produção e o próprio produto.

O surgimento de uma nova classe de ferramentas computacionais e o barateamento (e consequente proliferação) de mecanismos alternativos de fabricação tende a influenciar radicalmente o cenário no curto prazo.

“Hoje, os times de desenvolvimento podem trabalhar espalhados ao redor do mundo. Além da colaboração, o conceito de nuvem permite colocar um supercomputador na mão de quase todo mundo a um preço acessível”, comenta.

O executivo cita alguns elementos dessa revolução. Dentre os apresentados pela Autodesk, é possível destacar o “Generative Design” (desenvolvimento generativo), um conceito que trata da construção de produtos por um computador a partir de parâmetros pré-estabelecidos.

Dessa forma, um designer adiciona dados do que espera do produto – por exemplo, a construção de uma estrutura de motocicleta mais leve e mais resistente – e deixa que algoritmos resolvam esse problema com a entrega de propostas para o projeto. “É o uso da tecnologia como nunca se fez até então”, pontua.

A indústria de design testa ainda a produção a partir de conceitos genéticos. Há alguns anos, por exemplo, a Mercedes-Benz apresentou o Bioma, uma iniciativa que usa culturas orgânicas para que um automóvel “cresça” em uma estrutura controlada em laboratório. Esse tipo de esforço, se ampliado, pode resolver desafios na fabricação de elementos diversos (como remédios, por exemplo). 

Fora isso, é importante ressaltar que as empresas se esforçam para embarcar inteligência nos produtos. E esses dispositivos conectados geram informações que facilitam a vida das pessoas. A expectativa é que cada vez mais os dados desses aparelhos gerem insights para melhorar os próprios produtos.

Anagnost soma os fatores descritos acima a outra tendência importante: o financiamento coletivo para alavancar ideias de produtos inovadores. O projeto validado ganha escala e pode se tornar viável através de um rearranjo da indústria.

“Estamos vendo o surgimento de microfábricas capazes de construir praticamente qualquer coisa”,  sinaliza o vice-presidente, afirmando que esse modelo pega impulso na proliferação de equipamentos de impressão 3D capazes de trabalhar com diferentes tipos de materiais.

“Em muitos casos ainda não é possível produzir isso em escala, mas certamente será, em breve. E aí, mais pessoas poderão participar desse processo de inovação”, projeta Anagnost. O que vai acontecer na indústria tradicional quando esse cenário se tornar cada vez mais presente? O tempo deve responder essa pergunta em breve.

*O jornalista visitou o escritório da Autodesk, em San Francisco, a convite da Salesforce.com.

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