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Desenvolvendo lideranças na cultura Lean

O ano de 2021 está ainda mais desafiador para quem lidera. Pense bem, muitos processos que haviam mudado recentemente, estão prestes a serem modificados outra vez, à medida que a vacinação avança. Algumas empresas oficializaram o home office integral, outras vão seguir o modelo híbrido, parte no escritório/parte em casa, e outras ainda estudam a melhor alternativa.

Independentemente do formato, o mundo que existia antes mudou e seguirá assim: em constante transformação. E como vamos desenvolver líderes neste panorama? Já adianto que não é simples, mas super possível.

Naturalmente, temos dificuldade em alterar a forma como fazemos as coisas. Queremos mudanças, mas não queremos mudar a nós mesmos. É biologicamente explicável: durante o desenvolvimento evolutivo, poupar energia e proteger-se do desconhecido foram características vitais para garantir a nossa sobrevivência como espécie. E liderar em tempos de inconstância exigirá cada vez mais equilíbrio entre as habilidades técnicas e as sociocomportamentais, as famosas hards e softs skills, inclusive quando contrariar nosso instinto primitivo de resistir ao novo.

O conceito de Lean Leadership, gentilmente emprestado da filosofia Lean, que é baseada no aprendizado e na melhoria contínuos, pode ser uma poderosa ferramenta para a nortear a cultura organizacional nesta fase de intensas transições. A metodologia propõe mais do que ensinar a fazer, ela estimula que gestores contribuam ativamente com o desenvolvimento dos seus colaboradores, por meio do conhecimento compartilhado e da formação de outros líderes.

Um passo para desenvolver lideranças na cultura Lean é, ao fazer as perguntas certas, identificar as capacidades mais críticas, que irão provocar cada gestor a mudar o status quo. Quando você inspira ao invés de “mandar”, você pode despertar um sentimento de busca pelo desenvolvimento e autoconhecimento, que é primordial na jornada individual de líderes e liderados.

Na segunda etapa, o foco é criar autonomia para ampliar a liderança unificada e compartilhada. Conforme John Shook, antropólogo industrial e renomado conhecedor de metodologias Lean, observou, a transformação começa não pela teoria e sim pela forma de fazer as coisas. O líder embarca junto com o seu time na busca pelo aperfeiçoamento, assumindo papel ativo, ora de professor e ora de aluno. Ou seja, dar o exemplo pela prática.

Ao longo do caminho, as dificuldades podem ser benéficas na construção de um propósito coletivo. Costumamos nos sentir parte daquilo que ajudamos a criar. Ainda assim, haverá muita resistência e isso não tem só a ver com idade, é nossa característica ancestral.

Não precisa começar grande. Se não for possível engajar todos os 38 diretores da empresa, comece com aqueles cinco que estão mais próximos. O importante é começar para identificar as pessoas que podem ajudar – não necessariamente são aqueles que possuem cargos de chefia – na difusão de ideias e comportamentos.

Um fator que também pode se tornar poderoso, é a importância do envolvimento de pessoas entre gerações, experiências e bagagens diferentes na hora de pensar no problema, aliando as contribuições de quem conhece profundamente o negócio com a visão revigorada de quem chegou por último. É preciso enxergar os humanos e não máquinas. Respeitar as pessoas com suas histórias e aquilo que elas têm para contribuir dentro de um ambiente que se sentem à vontade para compartilhar.

Agora, como saber se está dando certo? Além do monitoramento e ajustes contínuos, princípios básicos da metodologia Lean, observe a sua densidade de talentos. O recurso ganhou popularidade após a publicação do livro “A regra é não ter regras”, do CEO e Fundador da Netflix Reed Hastings, consiste em aumentar a porcentagem de profissionais pensadores dentro da organização. Ou seja, ter cada vez mais pessoas com maturidade na função que exercem e habilidades para liderar/influenciar.

Outro indicador positivo é que ao aprimorar as suas próprias habilidades, enquanto ajuda os colegas a fazerem o mesmo, o líder Lean é capaz de vislumbrar possibilidades de crescimento, para ele e para os demais da equipe. Digo mais uma vez, não é simples. É uma jornada que tem começo, meio, mas não tem fim. Um eterno aprendizado para enfrentar esse um mundo de mudanças rápidas e constantes.

* Daniel Peralles é head de tecnologia da ao³

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