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Desafios do Facebook na próxima década

Nos primeiros dez anos, saímos de nossa zona de conforto. Foi a primeira vez que muitos de nós assumimos a identidade online com o mesmo nome da vida real. Nós, talvez mesmo sem perceber, tornamos-nos mais confortáveis a compartilhar: nossas fotos, nossos pensamentos, nossa localização. E é isso que Mark Zuckerberg queria.

À medida que o Facebook cresceu, contudo, a privacidade cresceu de maneira complicada. A rede social foi adicionando configurações, coletando dados dos usuários. E ainda assim, dez anos depois de se render às políticas do Facebook, o inevitável aconteceu: tornamos-nos menos abertos, menos sociais.

De acordo com uma recente pesquisa da Pew Research Center, apenas 10% dos usuários atualizam seu status no Facebook diariamente. Ainda, 25% disseram nunca fazer isso. Compartilhamentos e abertura são o combustível do Facebook, mas isso tem mudado. Durante os próximos dez anos, o Facebook terá os três desafios seguintes pela frente:

Recuperar a audiência adolescente

Usuários jovens sempre foram o diferencial do Facebook. A rede social foi feita para eles, por eles. Mas seu crescimento veio com um custo: adultos, dizem os teens, fizeram a rede chata. E por isso os adolescentes estão saindo para ir para outros rivais.

Segundo um relatório da consultoria Piper Jaffray, apenas 23% dos adolescentes citam o Facebook como a rede social mais importante, abaixo dos 33% há seis meses e 42% de um ano antes. Na apresentação de resultados fiscais, em janeiro, o Facebook reconheceu a tendência: ?Vimos uma queda nos usuários diários adolescentes, especialmente mais jovens?, disse o CFO da empresa, David Ebersman.

Enquanto os usuários legados tendem a preferir uma rede social a outras, mas o mesmo não vale para os adolescentes. Eles usam uma variedade de aplicativos ? Instagram, Snapchat, WhatsApp, AskFm e Twitter estão entre as mais populares. Essas aplicações têm características similares: são móveis, são plataformas de mensagem, são rápidas e fáceis.

Para recuperar essa demografia vital, o Facebook precisa chegar aos hábitos dos adolescentes com aplicativos standalone próprios. Eles precisam atender comunicação, comunidades e compartilhamentos. Não apenas integrá-los ao Facebook, mas não deixa-los óbvios (Facebook é para os velhos, afinal).

Inovar frente à competição

O Facebook aprendeu uma lição valiosa quando a população jovem desistiu da rede: subestime a competição, e os usuários chave vão desaparecer.

O Facebook tem sido complacente até agora em manter seus competidores tão próximos. Para desafiar o Instagram, o Facebook lançou um aplicativo idêntico chamado Camera. Mas quando a réplica da rede não se mostrou suficiente, a empresa lançou mão do plano B, comprar o Instagram, o que custou US$ 1 bilhão. Aquisições inteligentes são importantes, mas não apenas práticas.

Assim como a companhia aprendeu, não é possível se assumir como réplica, apenas estampando seu nome, para ser bem-sucedida. Tampouco é inteligente assumir que o dinheiro pode tirar seus rivais da área. Em vez disso, o Facebook precisa inovar.

O que as montanhas de dados e algoritmos da rede trazem para cativar os usuários? Como o Facebook usa sua força para tornar-se melhor? Aqui está a chave para o sucesso da companhia no futuro. Status quo não vai se manter por muito tempo.

Responder às preocupações de privacidade dos mais velhos

Usuários que cresceram com o Facebook têm opiniões diferentes sobre privacidade dos adultos. ?Os adolescentes cada vez mais compartilham informações pessoais em mídias sociais, uma tendência puxada pela evolução das plataformas que eles usam bem como normas sobre compartilhamento?, conta um recente relatório da Pew.

Além disso, 91% dos teens publicam fotos deles mesmos, comparado a 41% dos adultos. Outros 82% dos adolescentes disponibilizam seu aniversário, 71% sua cidade natal, e 53% dão à rede seu endereço de e-mail. Usuários adolescentes não pensam duas vezes sobre revelar suas informações pessoais, enquanto o tópico traz palpitações para adultos.

Persuadir os usuários a compartilhar mais, como a empresa tem feito ao longo da história, não está mais funcionando ? e não vai funcionar no futuro. O mesmo tanto que o Facebook precisa recuperar seus usuários jovens, precisa também reter adultos. Colocar na rede social controles intuitivos; deixar a parte aberta, de compartilhamentos e coleta de dados para os adolescentes e sua nova leva de apps.

Os primeiros dez anos do Facebook foram de amplo sucesso, ultrapassando a expectativa de qualquer um. A rede abocanhou mais de um bilhão de usuários e continua a ter vendas recorde. Os próximos dez anos serão mais difíceis ? sua base de usuários é fluida e seus competidores são muitos. O Facebook precisa parar, ouvir e inovar. Você é grande, Facebook. Mas não imortal.

 

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