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Deep web: anonimato é absoluto no “mundo invertido” da internet?

Há um outro lado da internet, bem diferente do qual estamos acostumados e que nos permite acesso a sites e páginas através de ferramentas de busca, como o Google. Essa camada mais profunda é chamada de “deep web” ou “dark web”, uma área para as pessoas que não desejam ser encontradas, com uma gama de informações que, geralmente, nascem nesse lugar e só depois são transmitidas à “internet geral”, como vídeos, fotos e notícias – muitas vezes falsas -, encaminhadas pelo WhatsApp e redes sociais.

Nos últimos dias, essa parte não rastreável da web se tornou mais comentada devido ao massacre de Suzano, já que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga se os assassinos conseguiram informações e conselhos para o planejamento do crime por meio de um fórum de grupos radicais na deep web. O uso desse espaço para a comunicação entre jovens, ainda que não seja para fins criminosos, é bastante comum. Porém, será mesmo que tudo o que se passa nesses confins do ambiente virtual possui sigilo absoluto?

O anonimato pode ser quebrado?

Geralmente, a parte de anonimato da “deep web” atrai hacktivistas, criminosos e usuários em busca de conteúdos censurados/ilegais ou produtos como drogas e armas. No entanto, assim como todas as ações online, as realizadas no “mundo invertido” da internet também podem ser descobertas.

“Apesar da tentativa de anonimato despistando os verdadeiros IPs, uma espécie de CEP do usuário na rede, o sigilo não é pleno. Embora seja uma ação mais complexa, a polícia tem condições de identificar as pessoas envolvidas nesse meio. Temos casos emblemáticos, por exemplo, de traficantes e pedófilos que utilizavam a “dark web'”para práticas criminosas e foram encontrados e punidos”, salienta Maciel.

Educação digital: um caminho a ser trilhado

A recomendação para evitar o contato de crianças e adolescentes com os riscos da internet é a supervisão dos pais. Pais ou responsáveis precisam ficar de olho no que é acessado por seus filhos e orientá-los sobre os perigos do contato com estranhos, bem como com conteúdos impróprios.

Para uma maior conscientização, tanto de pais e filhos quanto de educadores, sobre os perigos do mundo virtual, é preciso haver educação digital e políticas públicas nesse sentido. A sociedade precisa entender que do outro lado da tela pode haver um criminoso. É preciso orientar os jovens sobre violência, suicídio, golpes e abuso sexual, temas cada vez mais acessíveis por meio de vídeos, textos e jogos na internet.

O diálogo é fundamental para evitar o uso indiscriminado desses espaços e consequências tão graves como os atentados de Suzano e da Nova Zelândia, que resultaram na morte de tantas pessoas. Os jovens devem ter a capacidade de compreender manifestações que incitem a prática de crimes e a responsabilidade de denunciá-los aos seus pais e às autoridades policiais.

* Rafael Maciel é especialista em direito digital.

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