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Debandada: Visa, Mastercard e eBay anunciaram saída do projeto Libra

A sexta-feira passada terminou com um gosto amargo para o Facebook. Em uma única tacada as processadoras de pagamento Visa, Stripe, Mastercard e Mercado Pago, além da plataforma de marketplace eBay, anunciaram sua saída do projeto Libra, lançado em junho pela rede social com a proposta de criar uma moeda digital e um sistema global de pagamentos.

Em comunicados emitidos separadamente, Visa e Stripe afirmaram torcer pelo futuro da Libra Association, mas que preferem esperar que o projeto esteja melhor estruturado antes de assumirem um papel mais sério dentro da iniciativa.

Vale lembrar que, no início da semana passada, a carteira digital de pagamentos PayPal foi a primeira companhia a deixar a coalisão, também mantendo o discurso de que deseja sorte para a empreitada e que está de portas abertas para voltar a trabalhar no projeto futuramente.

Em seu perfil no Twitter, David Marcus, executivo do Facebook responsável pela condução do projeto Libra, agradece ao apoio dado por Visa e Mastercard “até o último instante” e diz respeitar a decisão das marcas por conta da pressão que devem estar sofrendo. Mas reforça que uma mudança dessa magnitude é difícil e que o público deve “Ficar atento para notícias em breve”.

Questão de tempo

Apesar de uma desistência em massa nunca ser uma boa notícia, nesse caso existe um contexto que explica a saída das marcas: nesta segunda (dia 14) todos os membros fundadores da Libra Association precisam estar em Genebra para o primeiro conselho da iniciativa. Nessa ocasião, as atribuições de todos os parceiros serão definidas e um contrato mais formal será, finalmente, assinado.

Enquanto um acordo desse porte se mostra vantajoso para parceiros para empresas como Uber e Spotify, e companhias de venture capital (que ainda integram a associação), esse nível de comprometimento poderia comprometer de forma séria os negócios das marcas de pagamento, que atuam dentro de um mercado extremamente regulado.

Acontece que a criptomoeda, como todas as já existentes, será construída dentro de uma rede blockchain e com funcionamento (pelo menos inicial) similar a moedas como Bitcoin e Etherum, que ainda são muito instáveis e criadas em um ambiente de baixíssima regulação.

Provavelmente pensando nesse histórico, as companhias de pagamento foram chamadas por membros do governo americano para explicar como assegurarão que a Libra seja um ambiente seguro para os usuários e protegido contra invasões hackers.

Por estarem ainda na fase inicial do projeto — que tem tudo para ser longo e bastante enrolado — as marcas optaram pela  saída do projeto Libra enquanto nenhum acordo oficial havia sido firmado, esperando uma estruturação melhor do projeto para cogitar uma possível volta.

 

*Com informações da CNBC e The Verge

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