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Data center: internalizar ou terceirizar?

A terceirização de infraestrutura de TI tem alto nível de penetração e maturidade no mercado brasileiro, em comparação com a de desenvolvimento e BPO (business process outsourcing). No total, segundo previsões da E-Consulting, as operações de outsourcing de TI no País irão saltar de R$ 16,7 bilhões em 2009 para R$ 18,2 bilhões no fim deste ano. Engrossando esta tendência, está um número crescente de empresas que optam por hosting e colocation de data center ou mesmo adotam soluções de computação em nuvem. De acordo com a PricewaterhouseCoopers (PwC), 90% dos CIOs no Brasil têm a terceirização de TI no topo da sua lista de prioridades – a maioria refere-se a data centers.

Com o tema em voga, também aumenta o número de CIOs sob pressão e em dúvida quanto à melhor estratégia para o data center da companhia (seja site insourced ou outsourced), bem como a hora certa de implementá-la. Luiz Alfredo Vieira Sales, gerente-sênior da PwC, aponta que o outsourcing é indicado para toda empresa que precisa de uma tecnologia ágil e alinhada tanto ao negócio quanto às transformações do mercado. Menos rotineira, a decisão por desenvolver um data center próprio requer justificativas fortes que compensem o alto TCO. “Os custos vão além da aquisição de equipamentos, passando por contratação e gestão de pessoal especializado, desenvolvimento de arquiteturas para garantir a disponibilidade, desempenho e escalabilidade dos servidores e telecomunicações, além de segurança física, custos prediais, licenças de softwares, energia elétrica com fontes redundantes e climatização”, enumera Sales.

Entre os pontos contras para quem pretende instalar internamente o data center está a limitação de espaço, o que pode implicar pouca flexibilidade para acompanhar a expansão dos negócios. Sales indica o site próprio às empresas que precisam acumular alta quantidade de ativos para garantias de transações no mercado ou aquelas cujo site principal localiza-se em região com telecomunicações precárias.

O outsourcing, por sua vez, se justifica, em geral, por transformar custos fixos em variáveis e investimentos em despesas (com impacto positivo no cálculo do IR) – o que, em muitas empresas, é argumento suficiente para tornar o CFO o aliado número um do projeto. “No fundo, quem define pelo outsourcing é o departamento de finanças, e não a tecnologia”, reconhece Sales. Mas, se a terceirização aumenta o ganho em escala e a competitividade e reduz a preocupação com a operação e gestão dos ativos, existe a necessidade de dispensar uma atenção especial com a “pós-aquisição”. “A gestão efetiva dos contratos e SLAs, com revisão periódica de preços e da qualidade e necessidade dos serviços, é mandatória, porque o custo da tecnologia tem quedas consideráveis ao longo tempo e isto historicamente não é repassado aos clientes.”

Nelson Wilson, sócio e responsável pela área de outsourcing da everis Brasil, afirma que não há melhor ou pior opção. Depende de cada negócio, do segmento, porte e do momento da companhia. “Muitas empresas terceirizam porque é moda ou porque foram pressionadas internamente, sem analisar a decisão sob a ótica do objetivo do negócio e sem avaliar o que poderia ser mantido internamente”, diz. Wilson alerta para um fato comum, que é a assinatura de contrato de terceirização – após uma excelente pré-venda do fornecedor – seguida da constatação de que a empresa usuária não está preparada para a cultura em que se trabalha com indicadores e processos. “O cliente tem de se adaptar antes, porque a responsabilidade pelo data center continua sendo dele e não do fornecedor. Se a terceirização é pensada apenas como redução de custos, pode virar um problema.” Ele orienta as companhias a elaborarem um pequeno modelo de como será a gestão e selecionar terceiros com base nisto. “A inadequação do fornecedor do serviço é o principal motivo de fracasso, seguido de falta de modelo baseado na competição entre os fornecedores”, informa o especialista.

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