O FBI e outras autoridades já afirmaram que um dos motivos para serem contra o uso de criptografia de arquivos é por alegarem ser uma prática que protegeria não somente tanto bons cidadãos quanto cibercriminosos, que se beneficiariam dessa ferramenta para driblar a vigilância ou “ficar nas profundezas”. Mas não é isso que aponta estudo realizado pela Universidade de Harvard.
A análise, que teve participação de antigos e atuais oficiais da inteligência, identificou que a ampla gama de novas tecnologias conectadas à internet, como produtos voltados para casas inteligentes, podem abrir portas para atividades de vigilância. “A metáfora do ‘ficar nas profundezas’ não descreve totalmente a capacidade futura do governo de acessar às comunicações de suspeitos de terrorismo e criminosos”, explica o estudo, publicado pelo Berkman Center for Internet and Society de Harvard.
É verdade que o aumento da disponibilidade de produtos de criptografia impede as capacidade de vigilância do governo em algumas circunstâncias, de acordo com o relatório. Mas o crescente mercado de dispositivos conectados à internet possivelmente irá suprir essas lacunas e, consequentemente, garantiria que o governo ganhasse novas oportunidades para coletar informações e continuar a sua vigilância.
Em um cenário no qual televisões, carros, câmeras, termostatos e até mesmo torradeiras possuem sensores e conexão Wi-Fi, novas oportunidades de rastrear suspeitos serão criadas, segundo o estudo. “Deveríamos pensar sobre as responsabilidades das empresas que constroem novas tecnologias, sobre novos procedimentos operacionais e regras para ajudar as comunidades de aplicação da lei e de inteligência a navegar no emaranhado de questões que certamente irão acompanhar essas tendências”, concluiu o estudo.
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