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Crescimento populacional sem emprego: o que nos espera?

Graças ao progresso tecnológico, ao desenvolvimento organizacional e à globalização, agora é possível produzir uma quantidade crescente de bens e serviços. Em consequência, tem-se reduzido a contratação da mão de obra.

Em 1891, quando se trabalhava dez horas por dia durante seis dias por semana, os italianos, que eram 40 milhões, trabalhavam 70 bilhões de horas. Cem anos depois, em 1991, após a diminuição do número de horas de trabalho, a Itália tinha alcançado uma população 57 milhões, mas trabalhavam apenas 60 bilhões de horas.

Trabalhando 10 bilhões de horas a menos de cem anos atrás, eles produziram 13 vezes mais. Em 2018, o País estava com 61 milhões de habitantes e, com um cronograma semanal de 39,7 horas, que ao juntar dá 40 bilhões de horas trabalhadas. Mas, em comparação com 1991, eles produziram um extra de 600 bilhões de dólares em riqueza.

Este é o fenômeno pode-se nomear como crescimento sem emprego: desenvolvimento sem trabalho.

É bom ou ruim que possamos produzir mais e mais trabalho cada vez menos? Desde a aurora dos tempos, os seres humanos sonham em ter sucesso. Isso era o desejo dos inventores desconhecidos da roda, a polia, o moinho de água, assim como dos inventores de grandes criações como o telefone e o automóvel, o avião e o microprocessador

Na Itália estamos atingindo esse objetivo, mas, devido a nossa obstinada resistência à mudança, estamos presos na última redução do tempo de 69-70.

O resultado é que muitos trabalhadores estão cada vez mais saturados de compromissos, trabalhando dez horas por dia. Enquanto seus filhos estão completamente e involuntariamente desempregados.

Vamos comparar com a Alemanha. Cada alemão trabalha em média 1.356 horas por ano. O emprego está em 79%; o desemprego é de 3,8%. Comparando com a Itália, todo cidadão trabalha em média 1.723 horas por ano; nosso emprego está em 58% e nosso desemprego está em 10,8%.

*Domenico de Masi é filosofo e professor universitário. 

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