?Nossos servidores de seis anos estão tão desatualizados que não podemos sequer rodar hipervisores neles. E agora você quer que tenhamos uma nuvem privada?? Enquanto eu lia sobre a mais recente pesquisa da InformationWeek Reports sobre gastos de TI, fiquei impressionado ao perceber que a principal categoria de projetos de gastos é para o básico de TI de anos atrás: armazenamento, rede e atualização de servidores. Sim, o longo inverno de gastos congelados e cortes parece ter acabado, porém, as prioridades da TI não estão de acordo com o que escuto por ai, sobre novos e inovadores projetos de TI. O que acontece?
Conversei com Art Wittmann, diretor da InformationWeek Reports, e ele respondeu: ?Imagino até onde isso reflete que muitas equipes de TI estão, simplesmente, sobrecarregadas e com baixo orçamento??. É uma boa pergunta. Muitas operações de TI andam tão famintas por um orçamento decente que tiveram de optar pelo equivalente moral de comer sementes de milho para que suas operações e manutenção não morressem de fome. Agora que os orçamentos estão descongelando um pouco, é hora de reforçar essas sementes. Faz algum sentido.
Todos sabem de operações que ainda rodam em ciclo de vida com capital de quatro anos. Mas também sabemos de operações que ainda rodam em servidores, balanceadores de carga, switches, firewalls de seis ou oito anos. E não são, necessariamente, sistemas secundários ou de backup, são sistemas primários de que empresas dependem para funções críticas aos negócios. Eu não me importo sobre quais inovações legais você roda, é o que se pensa, se estou usando uma plataforma no fim do ciclo de vida e, se alguma ruim acontecer, os negócios serão prejudicados e eu serei responsabilizado.
Do ponto de vista do capital humano, a fila da maioria dos projetos e tarefas de TI ainda é mais longa do que os clientes gostariam que fossem. Na empresa onde eu trabalho, por exemplo, a fila de ordem de serviço é de quase um mês do volume total de tickets. Em outra empresa que conheço, a fila de projetos de TI e ordens de serviço é de pelo menos 24 meses. Como acontece em toda área de TI responsável, esses projetos e ordens de serviço são separados e priorizados para que os mais urgentes sejam atendidos primeiros, mas todos sabem que alguns itens meramente ?importantes? não são prioridade.
Quer validação externa de que a TI sofre por falta de capital humano? A pesquisa Governance of Enterprise IT (GEIT), realizada este ano pela ISACA, mostra que entre 4.000 profissionais de TI, mais da metade citou ?equipe de TI insuficiente? como causa de algum problema para a empresa no passado. O ponto é que, com backlog de serviço enfrentando essas filas, você acaba priorizando itens considerados importantes, mas você não sabe o que você não sabe: pode haver itens nessas listas que parecem mundanos, mas que, na realidade, assim que você der atenção a eles, serão transformadores ou, pelo menos, extremamente importantes.
Colocar projetos inviáveis, como computação em nuvem, em listas de projetos já tão extensas me parece frívolo, no mínimo, e até mesmo irresponsável. Não posso dizer que não entendo, mas o papel da TI não é apenas sobreviver. Como escreveu o poeta persa, Muslih Saadi: ?Se de teus bens mortais és desprovido, e de teu escasso armazém somente dois pães pra ti são deixados, vende um, e com a esmola, compre jacintos para alimentar tua alma?.
No contexto da TI corporativa, precisamos nos lembrar que, enquanto segurança e confiabilidade são importantes, a principal razão pela qual temos essa infraestrutura de rede, armazenamento e servidores é porque a empresa a utiliza como plataforma para inovação.
É preciso que exista um meio termo entre a mentalidade da sobrevivência, em que tudo se resume a manutenção e upgrades de operações, e a mentalidade ?vamos gastar tudo com inovação?. Eu acho que uma área de TI altamente funcional deve pensar, cuidadosamente, sobre como direcionar esse capital para atualização de infraestrutura de forma que satisfaça tanto manutenção e operações quanto inovação.
Por bom senso, acho que se você não está pensando em nuvem para sua infraestrutura, talvez você se arrependa daqui uns anos, da mesma forma como várias empresas que investiram em CRM local devem se arrepender quando veem seus competidores usando o software como serviço da Salesforce.com. Não estou dizendo que se deva substituir toda sua infraestrutura por nuvem, mas acho que é um erro não dar prioridade a, pelo menos, colocar um dedinho na água e identificar alguns sistemas que podem ser postos em infraestrutura de nuvem. Se sua equipe recusa a natureza DIY (faça-você-mesmo) das nuvens em código aberto, seus antigos fornecedores irão te oferecer o que Wittmann chama de ?nuvem para o resto de nós?. Mas, por favor, faça alguma coisa moderna quando se trata de infraestrutura!
Estou errado? Poderia simplesmente dizer ?encontre o equilíbrio?, mas como se encontra? Estou interessado em saber como sua empresa lida com isso. Me conte sua história. Sua área de TI está focada na sobrevivência ou há algo mais?
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