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Contra a burocracia, Belas Artes adota diploma digital

São incontáveis os casos dos que já sofreram ao ter de percorrer grandes distâncias para tratar de meros trâmites burocráticos, por conta de documentos que são exigidos impressos em papel timbrado ou com firma reconhecida por instituições e órgãos governamentais.

Em uma sociedade tão calcada na internet e nas relações virtuais como a nossa, ares arcaicos ainda permeiam certos procedimentos requeridos, como a necessidade de enviar, por correio, para países do outro lado do mundo, documentos que demoram dias ou semanas para chegar.

Entre as iniciativas que começam a aparecer para agilizar processos marcados pela morosidade, e o consequente estresse causado a seus requerentes, o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo optou pelo formato digital de seus diplomas.

A turma de pós-graduação com cerca de 120 alunos formada em 2012 foi a primeira que recebeu o diploma digital – o que não quer dizer que o velho e tradicional diploma de papel foi, ou mesmo será abandonado nos próximos anos.

“Talvez com o passar do tempo e com a evolução dos documentos digitais deixe de ser necessário”, diz João Miranda Gomes, gerente de TI da Belas Artes.

Em função da boa receptividade dos pós-graduandos, os 1,5 mil diplomas e certificados que serão emitidos pelo Centro Universitário em 2013 já serão nos dois formatos.

Os ex-alunos que solicitarem uma segunda via também poderão ter seu diploma digital.

Para garantir a autenticidade dos documentos, a Belas Artes fechou parceria com a Certisign, empresa responsável pela validade jurídica dos diplomas – as assinaturas são feitas de modo online.

“Os contratos assinados digitalmente podem substituir qualquer contrato de papel”, fala Paulo Kulikovsky, vice-presidente da Certisign. “Todo documento já nasce digital, e depois é impresso no papel para ser assinado. Porque não fazer tudo eletronicamente?”, questiona.

Graduandos da USP já contam com os benefícios do digital

A Universidade de São Paulo (USP) é considerada pioneira entre as instituições de ensino do país no quesito diploma digital.

O próprio departamento de informática da USP desenvolveu seu modelo autenticado do documento, que pôde ser entregue no final do ano passado aos seus alunos da graduação.

Para 2013, a expectativa é que os 35 mil diplomas, entre graduação, pós-graduação e MBA sejam emitidos em formato digital.

Assim como a Belas Artes, a versão impressa também não foi abandonada pela universidade pública.

“A ideia digital é muito incipiente, ainda tem um uso bastante restrito no âmbito nacional. Não poderíamos de forma alguma eliminar o papel”, afirma Luis Carlos Moreira Gomes, diretor adjunto do departamento de informática de Reitoria da USP.

Segundo Gomes, para cada diploma emitido tradicionalmente, outras seis folhas de papel, em média, são gastas por conta de algum vínculo com o documento final. Ou seja, mais de 200 mil folhas serão economizadas anualmente com a iniciativa.

Após essa primeira fase que agraciou os atuais alunos, uma segunda fase do projeto prevê que as turmas formadas na USP desde 1996, que contam com suas informações armazenadas em um banco de dados, também terão sua versão digital do diploma.

Categoria médica é outra que ganha com a modernidade

De acordo com Kulikovsky, da Certisign, além do setor de educação – outras faculdades estão em negociação com a empresa para usar o diploma digital -, o segmento médico é outro que desponta como uma clientela em potencial para o uso dos certificados digitais.

“Muitas pessoas levam atestados falsos para pedir abono da falta. O atestado digital é um reforço eletrônico que dá muito mais segurança”, explica o executivo.

A Associação Paulista de Medicina (APM) já acordou parceria com a Certisign para ter seus certificados transformados em arquivos PDF.

 

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