Uma pesquisa da Accenture Institute for High Performance mostra que 80% dos tablets em uso nas empresas pertencem aos funcionários, porém, outro estudo, realizado pela Ernst Young, aponta que 20% das empresas não permitem e não pretendem usar tablets. Esta disputa entre o que querem os funcionários e as estratégias usadas pela empresa tende a ser superada, provavelmente, em favor dos funcionários. ?Não há como segurar este fenômeno?, avalia o CIO da Chubb Seguros, Luis Ricardo de Almeida.
A Promon Engenharia, que apresentou sua experiência com a consumerização no IT Forum 2012, decidiu trilhar o caminho junto com os funcionários e estimular o uso adequado dos dispositivos móveis, ao invés de proibi-los. ?Não adianta dizer que não vai dar certo. As empresas já não conseguem resistir à pressão dos usuários. A equipe de TI precisa fazer um brainstorm e levantar os pontos positivos e negativos da política Bring Your Own Device (BYOD), para fazer com que a consumerização funcione de maneira mais adequada?, avalia o diretor de Sistemas e Administração da Promon Engenharia, Antonio Vellasco Filho.
A empresa decidiu não fornecer smartphones nem tablets à equipe, por considerar que os equipamentos devem ser escolhidos de acordo com a preferência do usuário, não de acordo com as políticas corporativas. ?Não damos nem para o presidente e nem para o motoboy. Como até o presidente tem seu próprio aparelho, vamos vencendo a resistência interna, já que o exemplo vem de cima?, avalia Vellasco. Todos os sistemas operacionais têm acesso à rede e aos aplicativos autorizados de acordo com o perfil dos usuários.
Na Termomecânica, o uso de celular se espalhou informamente e também não foi necessário fornecer os equipamentos aos funcionários. ?Hoje temos uma rede de celulares pessoais, todo mundo fala com todo mundo, e nunca tivemos nenhum pedido de reembolso das ligações?, conta o CIO, Walter Sanches. A empresa não fornece acesso à internet pela sua rede e, em exceções, empresta placas 3G para os funcionários e visitantes mediante assinatura de um termo de responsabilidade.
Para ajudar os funcionários a fazerem o melhor uso de seus dispositivos, a TI da Promon participa de um programa que se espalha por todas as áreas da empresa, o ?Mastigando Ideias?, com palestras que abordam temas de interesses diversos dos funcionários durante a hora do almoço. ?Nestes momentos, a TI muitas vezes ajuda o usuário a usar seu novo equipamento?, conta Vellasco.
O diretor da Promon também conta que o acesso à rede é dividido em três partes: a corporativa, para acesso dos notebooks corporativos, a PrMobile, para uso de dispositivos pessoais e com acesso ao VOIP e SAP-ECC (por enquanto, somente para workflow de pagamentos), e a PrGuest, para acesso à internet por visitantes, com tempo de conexão restrito. A Promon utiliza VOIP para IOS e Android, acesso a aplicativos legados com o Citrix Metaframe, acesso remoto às reuniões pelo CiscoWebex, rede VPN da Cisco e e-mail com o Exchange.
?Nossos próximos passos são proteger o ambiente de redes de dispositivos desconhecidos, segregando equipamentos que não sejam corporativos; migrar aplicativos legados para ambiente web; disponibilizar infraestrutura de desktop virtual para acesso a sistemas que não podem ser migrados para ambiente web; e substituir os shares de rede pelo SharePoint?, adianta Vellasco.
O executivo reconhece que os equipamentos móveis podem aumentar as vulnerabilidades, porém, avalia que não é possível controlar todos os acessos e formas de uso. ?As pessoas precisam entender que segurança da informação não se trata apenas de ferramentas. Os funcionários podem contar segredos corporativos no elevador. É preciso conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar as informações confidenciais.?
Lucia Almeida, CIO do Laboratório Aché, concorda. ?Temos um código de conduta, porque não adianta só utilizarmos ferramentas para garantir a segurança da informação. Queremos mais conscientizar os funcionários sobre as políticas de uso da informação do que controlar.? Já o CIO da Teksid, Wellington Eustáquio Coelho, entende que é preciso passar da conscientização para o comprometimento. ?Mostramos os riscos até na vida pessoal do uso inadequado dos dispositivos móveis e da internet, como forma de comprometê-los com a segurança da informação na empresa.?
Além da segurança da informação, o passivo trabalhista também preocupa as empresas, já que a legislação brasileira ainda não tem uma política clara sobre o uso profissional de dispositivos móveis e é bastante restritiva quanto à jornada de trabalho. ?Na Unilever, a TI é lastreada por políticas de RH e adaptamos o uso de tablets e smartphones, além do home office, de acordo com a legislação trabalhista de cada país. O RH é muito importante para formalizar estes contratos?, finaliza o CIO da Unilever, BernardoTavares.
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