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Conheça o CoBoT, robô colaborativo de Manuela Veloso

Ter robôs ajudantes em escritórios pode ser bastante útil. Mas as máquinas de hoje não estão nem perto dos humanoides inteligentes de livre circulação que você vê nos filmes. No momento atual, robôs não poderiam andar dentro de um prédio de escritórios sem tropeçar em cadeiras ou ficar preso atrás de portas. A editora e colaboradora do IEEE Spectrum, Prachi Patel, revela um novo robô que irá trabalhar melhor em ambientes humanos.

Prachi: a engenhoca de aparência estranha que se parece com um laptop em um banquinho com rodas, anda pelos corredores do prédio de ciência da computação da Carnegie Mellon University. Às vezes, ele recebe os visitantes.

Robot: “eu estou aqui para levá-lo para a sala 7002. Por favor, pressione o botão quando estiver pronto para ir”.

Prachi: este é CoBoT. Aperte um botão na tela dele e ele deslancha para o corredor, virando esquinas e parando para as pessoas passarem, orientando-o para onde você precisa ir.

Robot: “por favor, siga-me para a sala 7203”.

Prachi: neste caso, é o escritório da professora de ciências da computação Manuela Veloso.

Manuela Veloso: minha opinião é a seguinte: que os robôs, essas criaturas mecânicas… vão coexistir com os humanos. Eles vão coexistir sem precisarem ser direcionados ou guiados por controle remoto. Eles vão ser autônomos. Eles estarão entre de nós, ajudando em nossas decisões e tarefas. Eles farão parte da nossa vida.

Prachi: isso significa que vão se locomover por conta própria. Uma tarefa simples para os seres humanos, mas muito complicado para as máquinas. Robôs nem sempre podem identificar objetos, e eles ficam perdidos se, por exemplo, mesas forem reposicionadas em um ambiente. Pense no ágil Roomba: ele pode evitar colidir com as coisas, mas não consegue diferenciar uma mesa e uma cadeira. E ele certamente não tem ideia de onde fica o quarto ou como se faz para chegar lá, ou ainda que ele está na sala de estar agora. O problema é que os robôs não têm um GPS biológico como os seres humanos, diz o aluno do curso de Ph.D. de Veloso, Joydeep Biswas.

Biswas: então, se eu pedir para você ir até o elevador, você sabe exatamente como chegar lá. Mas o que é essa representação desse mapa em sua mente? Você não sabe. Neurologistas e psicólogos estão tentando descobrir como nós fazemos isso, mas nós não sabemos.

Prachi: então, como vamos ensinar um computador a fazer essa tarefa? Para começar, instalamos nele uma câmera e alguns sensores para observar constantemente o seu ambiente e registrar essas observações. Biswas aponta para a tela do CoBoT que mostra o que o robô vê.

Biswas: então essas linhas azuis que você vê são o mapa do mundo, que são basicamente, as paredes do edifício. Esses pontos vermelhos por aqui são você e eu.

Prachi: coBoT tem um mapa básico embutido. Mas, para saber onde ele está nesse mapa, que leva em conta todos os objetos ao seu redor. Ele considera se eles são características permanentes como paredes, objetos móveis como portas ou coisas como mesas. E então ele faz cálculos sofisticados com esses dados para descobrir onde ele está no edifício. Ele usa outros truques também. Se ele vê uma cadeira, ele vai checar em seu banco de dados para descobrir onde ele viu um objeto semelhante antes. Ele está sempre aprendendo.

Biswas: o local exato de sua cadeira em seu escritório pode não ser o mesmo a cada dia. No entanto, a maior probabilidade é de ela estar em frente à sua mesa, certo? Então, se for possível manter o controle de como esses objetos se movem ao longo do tempo, isso lhe dará mais algumas informações.

Prachi: CoBoT também pode reconhecer os seres humanos. Ele irá educadamente mover-se para os lados para passá-las ou dizer, “com licença” se elas estiverem bloqueando o seu caminho. Ele já registrou mais de 1 mil quilômetros se movendo por conta própria, acompanhando as pessoas e entregando coisas. Mas ele não pode fazer tudo.

Manuela: depois de algum tempo, percebi que estes robôs, inevitavelmente, têm limitações. Cognitivas, perceptivas, limitações de atuação.

Prachi: mais uma vez, da Carnegie Mellon Manuela Veloso.

Manuela: e se eles tivessem braços, eles ainda não seriam capazes de abrir todas as portas do mundo. Eles ainda não seriam capazes de pegar todos os objetos do mundo.

Prachi: então CoBoT usa um truque simples quando fica confuso. Ele pede ajuda ao humano mais próximo.

Robot: “poderia, por favor, pressionar o botão “descer” do elevador e me avisar quando ele chegar aqui?”

Prachi: veloso diz que programar um robô para pedir ajuda é mais fácil do que ensiná-lo a analisar a linguagem ou dar-lhe as habilidades motoras refinadas. Ela chama o conceito de autonomia simbiótica. Um admirável mundo novo da parceria homem-máquina.

Robot: “estou esperando para receber o seu próximo local de reunião.”
Prachi Patel: Para “Aqui e Agora”, eu sou Prachi Patel em Pittsburgh.

Robot: “ok, vamos lá!”

*Prachi Patel é editora e colaboradora do IEEE Spectrum

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