Computação quântica: olhar para tecnologia não é futurismo

Começando o segundo dia do IT Forum Trancoso, a Plenária com o tema “Vamos criar algo que mude tudo? A próxima onda da transformação”, teve a presença de Marcelo Braga, presidente e líder de Technology da IBM Brasil, Paulo Sérgio dos Santos, diretor de TI da Weg e Ronaldo Ribeiro, gerente de TI e Telecom da Cenibra.

“A computação quântica é mais uma ferramenta na ‘caixa de ferramentas’ que as pessoas terão à disposição para inovar. É revolucionário e trará mais oportunidades. O uso desse ambiente vai ser feito através da nuvem. E é importante começar agora porque quando estiver amplamente disponível, quem já tiver sairá na frente. Um exemplo é sobre quem já trabalhava com Inteligência Artificial (IA), que passou pela pandemia muito melhor do que aqueles que não tinham. O ideal é começar pequeno, começar testando e entender o seu uso”, resume Marcelo.

Segundo o executivo, será pouco provável que as empresas tenham computadores quânticos físicos, pois a complexidade de infraestrutura é muito grande. Mas, quando o poder computacional disponível trabalhar em conjunto com a IA, será possível explorar os dados rapidamente e com disponibilidade “para todos”.

A Weg é uma das companhias que utiliza a plataforma Watson, da IBM. “O nosso primeiro caso de uso do Watson foi com o chatbot. Mas, diferente dos tradicionais, nós tentamos tirar dúvidas técnicas com o chatbot. Criamos um assistente que visa ajudar todos os clientes e a equipe de assistência a responder dúvidas técnicas que, normalmente, eles precisariam falar com a área de engenharia”, comenta Paulo.

A partir da primeira experiência, a empresa começou a desenvolver outros algoritmos. Um deles, hoje, é capaz de interpretar um documento de 100 páginas e sumarizá-lo em três ou quatro páginas – com foco em facilitar o trabalho dos engenheiros.

A Cenibra, indústria produtora de celulose, também foi capaz de melhorar sua produtividade e diminuir custos. Ronaldo explicou que, por meio da análise computacional de todas as câmeras e sensores contra incêndios, a companhia foi capaz de detectar os incêndios mais rápidos – facilitando a ação de combate. Hoje, os sistemas não são usados somente pela Cenibra, mas até a Polícia Florestal das regiões estão conectados.

Ao ser questionado sobre quais os tipos de empresa devem investir nas tecnologias, Marcelo foi enfático: “100% das indústrias estão atrás disso. São mais de 400 projetos de Watson já maduros. Computação quântica deixa de ser uma discussão de futurismo e torna-se uma discussão sobre automação”.

O diretor da Weg também falou sobre a maturidade de análise de dados. De acordo com Paulo, eles estão em estágio inicial e ainda necessitam colher muitas informações. Mas já há diversos projetos envolvendo a gestão de dados.

“Um problema é a perda de profissionais, pois são muito cobiçados. Após um projeto bem-sucedido, agora, queremos implementar para diversas dimensões de dados, desde financeiro, clientes, vendas, entre outros. Temos um e-commerce B2B muito estruturado, por exemplo, então temos muitos dados de cotação”, comenta Paulo.

Já a Cenibra começou de trás para frente. “Começamos com uma plataforma de BI e ela não decolava. Com a pandemia, todos os dados foram potencializados na ferramenta. Tínhamos feito um projeto de empresa data driven e com a chegada da pandemia, o BI se tornou um dos sistemas mais importante. Contratamos uma empresa para mapear nosso ambiente para melhorar a nossa governança de dados. Paralelo a isso, estamos formando 30 cientistas de dados”, resume Ronaldo.

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