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Complexidade do legado é desafio para redes do futuro, diz Cisco

Alcançar 3 bilhões de pessoas no mundo ainda não atendidas com redes de dados – ou qualquer tipo de rede –, com uma infraestrutura mais barata e menos complexa de se construir, aproveitando inclusive equipamentos legados. Esse é o objetivo declarado da Cisco no Live!, que chegou nesta quarta (31) ao último e derradeiro dia.

Com novas soluções de roteamento óptico (Routed Optical Networking), transceivers ópticos de alta velocidade e portfólio de roteadores de larga escala de nova geração, a empresa diz ser capaz de reduzir o custo total de propriedade (CAPEX) em até 46%. O objetivo faseado e de longo prazo é que provedores de serviço e nuvem redesenhem suas redes a partir de uma arquitetura cujos limites entre as camadas ópticas e IP são cada vez menores.

Em coletiva de imprensa concedida durante o Live!, Jonathan Davidson, vice-presidente sênior e gerente geral de infraestrutura crítica da Cisco, disse que o primeiro grande desafio é a complexidade. “Tivemos muito trabalho nos últimos anos para tentar reduzir a complexidade com novos protocolos. Mas temos muitas camadas na internet agora, e elas agem como silos”, ressaltou. “Criamos ineficiências significativas que cresceram muito ao longo do tempo.”

Leia mais: Nuvem, trabalho híbrido e segurança pautam estratégia da Cisco

Segundo Davidson, o modelo atual de rede faz com que os gestores gastem cinco dólares em operação para cada dólar investido na implantação.

Parte da solução para este problema, segundo a estratégia da Cisco, passa pela arquitetura chamada Converged SDN Transport, definida por software. Ela foi desenhada para que provedores de serviço concentrem funcionalidades hoje desempenhadas por múltiplas redes em uma única infraestrutura, o que reduziria complexidade de operação e, claro, custos.

A Routed Optical Networking anunciada durante o evento busca reduzir essa separação entre redes IP e OTN, colapsando as duas camadas em uma única infraestrutura.

Uma camada a menos

Para colapsar as duas camadas e fazê-las funcionarem juntas, a Cisco, na prática, eliminou a óptica da infraestrutura. “Isso não acontece da noite pro dia, leva anos, mas temos um roadmap para permitir aos clientes ter economias conectando transceivers direto nos roteadores e diminuindo a complexidade”, explica Davidson.

Os dispositivos da Acacia, especialista em soluções ópticas comprada pelo Cisco em janeiro de 2021 por US$ 4,5 bilhões, permitem que as fibras entrem direto nos equipamentos, inclusive legados, e alcançam até 400G de velocidade. É uma compra estratégica, que segundo o executivo permitirá avanços para suportar os níveis de tráfego esperados com o 5G.

Outra parte da estratégia repousa sobre a arquitetura de processamento de rede Silicon One, lançada pela Cisco em 2019. Desde então a solução de roteamento também passou a atender provedores de conteúdo e nuvem com dez chips que variam em velocidade de 3,2 Tbps a 25,6 Tbps.

Lançamentos futuros incluem o Cloud Native Broadband Network Gateway para o setor de telecomunicações, que promete unir a atual linha de roteadores de banda larga nativos da nuvem para operadoras de TV a cabo e operadoras móveis.

“Eu sei que parece complexo e que queremos prender os clientes, mas não é o caso. Temos trabalhado com diferentes provedores de soluções e queremos criar um ecossistema aberto para tecnologias práticas”, disse Davidson, se antecipando a possíveis críticas que uma proposta de mudança de arquitetura geraria, mas defendendo os ganhos da proposta. “Fazer isso reduz o custo de operação da infraestrutura e permite que a internet seja mais acessível”, defendeu.

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