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Como o setor de tecnologia está se adaptando a eventos à distância?

Fornecedores de softwares em todo o mundo liberaram seus pacotes ilimitados para auxiliar na adaptação das organizações e da sociedade em geral diante da pandemia do coronavírus. Muitas empresas estão oferecendo seus serviços de software gratuitamente para causas humanitárias, pela solidariedade coletiva, ou para auxiliar governos e indústrias.  

Dentre tantas adaptações necessárias a partir da orientação do isolamento social em combate a propagação do vírus, viagens foram cortadas, reuniões adaptadas e eventos cancelados. Outro ramo do mercado de softwares de compartilhamento e conferência precisou correr para atender tamanha demanda. 

O próprio modelo de reuniões por videoconferências que estávamos habituados precisa de adaptação, quando deixa de ser exceção e passa a ser a regra e única forma de interação entre os colaboradores e parceiros.  

Em artigo para a Forbes, o colunista Adrian Bridgwater, analisou como as empresas estão realizando eventos técnicos diante dessas mudanças. Segundo o profissional, as organizações ainda estão adaptando seus conteúdos e formatos à nova realidade. 

Conferências, hackathons, reuniões de grupos de usuários, cúpulas de clientes ou qualquer outro tipo de convenção em andamento precisaram ser cancelados ou totalmente adaptados à nova realidade. 

Eventos virtuais

 A empresa de banco de dados de código aberto DataStax, por exemplo, mudou seu grande evento matinal para “palestras semanais” como parte do que teria sido o DataStax Accelerate. O MongoDB continuou a fazer a lista completa de sessões on-line para o evento MongoDB World, que agora renomeou MongoDB.live.  

O artigo sugere que o conteúdo será agora dividido de alguma forma, em vez de entregue como um fluxo de sessão conectado o dia inteiro. A fundação MariaDB diz que o OpenWorks ’20 não será mais um evento presencial. 

“Apesar de estarmos desapontados por não ver você em Nova York este ano, ainda estamos planejando compartilhar o conteúdo do OpenWorks digitalmente. As sessões selecionadas serão gravadas remotamente e disponibilizadas para transmissão sob demanda. Também estamos explorando novas maneiras de se envolver digitalmente, incluindo o horário de expediente on-line e perguntas e respostas com especialistas”, observou MariaDB no artigo. 

 Bridgwater sugere, a partir desses exemplos de eventos virtuais, que aparentemente o melhor conselho é hospedar uma palestra no estilo “keynote do CEO”, focado em um dia, ou no máximo dois, para entrega de conteúdo on-line.  

O benchmark de evento virtual recomenda que eventos nesse perfil sejam de, no máximo, dois dias. “Dito isto, as sessões de discagem de um dia com downloads sob demanda para o dia seguinte podem se tornar a norma de fato”, diz no artigo. 

Mudança de formato

Timo Elliott, evangelista de inovação da SAP, lembra que não se trata só de uma mudança no público, que agora é virtual, mas também do apresentador. Antes, apenas o público era virtual enquanto o apresentador contava com uma estrutura, por vezes, de estúdio. Hoje, público e speakers estão em casa.  

“Não é realmente um problema de apresentação, é um problema de audiência. É mais fácil do que nunca fazer barulho, mas mais difícil do que nunca ser ouvido. Um dilúvio de digital está chegando: então como se destaca um evento único? Esse é o desafio que as organizações terão que vencer. […] No ciberespaço, todas as outras distrações possíveis (incluindo colegas e família) estão a apenas um braço de distância. Todo o conteúdo deve ser ‘com pessoas’ e não ‘para pessoas’. Portanto, pense na co-criação de conteúdo entre host e participantes”, disse Elliott à Forbes.  

 O especialista em inovação sugere ainda que se adote formatos com menor controle, como as desconferências, que são fóruns auto-organizados com formato mais informal do que as conferências comuns. 

Avi Reichental, fundador da XponentialWorks, uma empresa de consultoria corporativa especializada em Inteligência Artificial, impressão 3D e robótica, ressalta que essas mudanças estão ocorrendo rapidamente e que precisamos encará-las conscientemente.  

“Portanto, precisamos lembrar que não se trata tanto do volume de conteúdo ou da astúcia de nossa apresentação, mas de como essas ferramentas estão mudando a maneira como trabalhamos, aprendemos e colaboramos como parte do futuro do trabalho”, disse à Forbes. Ele alerta ainda que “podemos ser vítimas da vaidade da exposição oferecida pelas ferramentas de colaboração on-line”, como Instagram (em discussões ao vivo) e Zoom. 

 O artigo sugere que à medida que as organizações de tecnologia percebam que terão que hospedar seus eventos on-line, elas precisarão pensar em novos modelos de negócios para monetizá-los. “As pessoas estão prontas para pagar por eventos do mundo real, mas é improvável que desejem pagar por conferências on-line da mesma maneira”, finaliza Bridgwater. 

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