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Como o meio digital tem agravado a Síndrome de Burnout?

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a Síndrome de Burnout afeta cerca de 33 milhões de brasileiros. Também conhecida como Síndrome de Esgotamento Profissional, a doença vem ganhando destaque nos últimos anos.

Segundo a Ana Carolina Souza, sócia da Nêmesis, empresa que oferece assessoria e educação corporativa na área de Neurociência Organizacional, a tecnologia pode representar um perigoso sinônimo de pressão emocional, o que pode contribuir com a doença, “A tecnologia certamente traz muitos benefícios para o nosso dia-a-dia, porém, é preciso aprender a utilizá-la de forma estratégica”, diz.

A especialista explica que diversidade de canais de comunicação disponíveis hoje pode levar a uma sensação de sobrecarga sobre o colaborador, por exemplo quando a pessoa recebe mensagens ou cobranças através de e-mail, mensagens, aplicativos e muitas vezes também através de contato telefônico. “Isso pode gerar dificuldade de alinhamento de prioridades, excesso de cobrança, erros de comunicação, dentre outros problemas”, afirma.

Além disso, a praticidade da tecnologia, associada a uma pressão cada vez maior por tempo, também faz com que muitas vezes críticas e feedbacks sejam passados através de mensagens, o que pode gerar sentimentos negativos exagerados por parte de quem recebe a mensagem e, ainda, a percepção de maior distanciamento e frieza por parte dos gestores ou mesmo da empresa.

Nessa mesma linha, a neurocientista esclarece que tecnologia é importante por permitir que tenhamos cada vez mais autonomia, porém, ao mesmo tempo, quando não sabemos organizar as atividades profissionais também pode gerar a sensação de que estamos trabalhando 24h/dia, ou mesmo favorecer culturas que considerem que as pessoas devem estar disponíveis e acessíveis para o trabalho constantemente, uma vez que podem responder e-mails e mensagens facilmente do seu celular. “Isso traz um excesso de carga horária, mesmo quando a pessoa está fora do escritório, o que associado às cobranças e pressão pode piorar ou favorecer um quadro de Burnout.”, ressalta. 

Empresas devem ser mais empáticas

Para Ana Carolina, o controle do estresse e o exercício saudável da liderança são aspectos fundamentais para ajudar a evitar que tais quadros ocorram, já que uma vez instaurado, o Burnout traz prejuízos importantes para saúde do indivíduo e impacta diretamente a produtividade das equipes. “É saudável que os gestores tenham conhecimento do fenômeno e estejam constantemente atentos aos seus colaboradores como uma forma de prevenção. Ao perceber que algum dos colaboradores pode estar sob grande pressão, sobrecarregado, ou desenvolvendo uma possível frustração associada ao trabalho, deve-se buscar formas de reverter o cenário e assim evitar um desgaste maior, e possível desenvolvimento de Burnout”, recomenda. 

Nesse contexto, o exercício da empatia pode ser uma forma muito eficiente de leitura dos colaboradores, permitindo uma maior sensibilidade na hora de direcionar suas atividades e dar retorno sobre seu desempenho.

“A empatia é uma habilidade fundamental para uma comunicação e liderança mais eficientes e há diferentes formas de exercitá-las. Uma delas seria dar atenção às pessoas. Quando conversar com elas, faça contato visual e ouça atentamente ao que dizem. Exercitar o que chamamos de “escuta ativa”, quando ouvimos o que o outro está dizendo, inibindo nosso julgamentos e pensamentos para que de fato seja possível compreender a perspectiva e os sentimentos da pessoa que fala”, sugere. 

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