O pensamento ágil é uma cultura; um movimento que está muito além de uma metodologia ou de um framework, que é um conjunto de conceitos. Atua diretamente no mindset – configuração da mente em uma tradução literal – das corporações e das pessoas, trazendo novos paradigmas para a gestão de pessoas.
Esses frameworks sustentam-se no Agile Mindset, ou seja, em uma mentalidade ágil, que é a crença de que podemos melhorar ao longo do tempo e de que nossas habilidades não são fixas. Uma mentalidade de aprendizado e crescimento contínuo. Para a eficácia de um sistema de gestão, as corporações precisam estar alicerçadas no equilíbrio de três elementos: pessoas, processos e tecnologia. Mas por qual deles devemos começar?
Um dos princípios chaves do Manifesto Ágil é “indivíduos e interação mais que processos e ferramentas”. Isso não significa que não vamos olhar para os processos e ferramentas, mas que, em primeiro lugar, devem estar as pessoas e as interações entre elas, que por sua vez serão suportadas pelas ferramentas e orientadas pelos processos.
O Scrum e o Kanban são duas ferramentas de processo de mudança que vão ajudar as pessoas a trabalhar de maneira mais eficaz, gerando mudanças evolucionárias, reduzindo desperdícios e proporcionando um ambiente de melhoria contínua, no qual os problemas tornam-se visíveis e as pessoas emocionalmente engajadas nas mudanças. Ambos os frameworks utilizam da gestão visual, uma das principais estratégias dessas ferramentas, para promover o engajamento e o compartilhamento de informações entre os envolvidos.
Com esses novos paradigmas, o tradicional modelo de gestão baseado no conceito “comando-controle”, segundo o qual o bom gestor precisa saber cobrar bem e a palavra de ordem é a produtividade, está sendo reinventado. Gestão não é controle. Controle é sintoma de falta de gestão. A ideia é transformar o papel do gestor. Ele deve trabalhar como uma espécie de guia para a formação de um time auto-organizado e autogerenciado.
Os gestores precisam ter cuidado com a visão míope: informações que venham de uma única direção, com um único diagnóstico. A obra de Jim Womck, “Caminhadas pelo Gemba”, é um alerta para líderes que administram de sua sala, sem verificar o que de fato acontece. O autor mostra que é um perigo focar na resolução dos problemas, mas não na sua causa. Ao lidar com situações difíceis, é crucial compreender como elas foram originadas.
É necessário trabalhar a visão sistêmica. Mesmo dentro de estruturas de departamentos e de especialidades técnicas, equipes e gestores precisam ter a visão e o comprometimento pelo todo. A responsabilidade sobre o sucesso ou fracasso do projeto deve ser compartilhada com a equipe.
Por isso, para conseguir um melhor resultado, o time deve adotar uma postura colaborativa, ajudando uns aos outros, transferindo conhecimento e aprendendo ao mesmo tempo. A partir daí é necessário atuar com sabedoria. E o que é sabedoria? Sabedoria é diferente de conhecimento. Não basta saber, tem que agir. Sabedoria é ação.
(*) Luciene Martins é líder de Equipe da LG lugar de gente, onde é responsável pelo projeto de implantação das metodologias ágeis Scrum e Kanban
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