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Como a indústria 4.0 pode mudar o jogo

Durante muitos anos, a indústria mundial promoveu uma verdadeira corrida por menores custos de produção, com fabricantes migrando suas unidades de um país para outro em busca de mão de obra mais barata. O resultado dessa “caça ao trabalhador pior remunerado” foi sentido na carne por potências como os Estados Unidos, com a perda de milhares de empregos, fechamento de fábricas e a crise em vários setores, como o automobilístico. Felizmente (tanto para o consumidor como para o trabalhador) a história se encarrega de mostrar que a questão não se resume a corte de custos.

Países industrializados como Alemanha e Estados Unidos voltam a recuperar postos de trabalho e competitividade por conta de uma verdadeira revolução, conhecida como o Renascimento da Manufatura ou Indústria 4.0. Esse fenômeno pode ser visto, por exemplo, na cidade de Detroit, nos Estados Unidos. Famosa por sua indústria automobilística, a cidade chegou a entrar com um pedido de falência em 2013 e agora passa por um processo de recuperação, guiada por essa indústria digital. Com ela, a tecnologia e a inovação permitem que uma fábrica na Europa ou na América do Norte, por exemplo, ofereça produtos a preços competitivos, quando comparados a muitas unidades fabris de países emergentes que utilizam processos tradicionais e mão de obra barata. Como isso é possível? Com a digitalização de processos e eficientes soluções de automação que reduzem o desperdício e o tempo de produção, além de agregar valor e permitir a oferta de produtos diferenciados.

Em uma fábrica digital, as várias etapas de produção de um produto estão intimamente conectadas, com máquinas, robôs e softwares de gerenciamento identificando qualquer alteração que acontece no produto ou no processo e tomando as medidas necessárias. Cada etapa da fabricação está documentada e disponível para os funcionários responsáveis, no formato e contexto necessários, que podem ter controle de todo o ciclo de vida do produto e do processo, com o uso de ferramentas de PLM (Product Lifecycle Management).

Além de permitirem a oferta de produtos inovadores e de melhor qualidade, essa nova indústria promove a oferta de vagas de trabalho melhor remuneradas. Afinal, para operar equipamentos sofisticados como robôs é preciso mão de obra especializada. Não há como negar que empregos tradicionais, com tarefas repetitivas e limitadas, perdem espaço. Mas o trabalhador também pode (e deve) buscar crescer profissionalmente, aprender a lidar com esses novos equipamentos para se manter competitivo no mercado de trabalho. Lembrando que milhares de empregos foram perdidos não por causa da tecnologia, mas pela especialização do trabalho, tema atualmente em discussão com a tramitação da PEC 4330/14 sobre a Terceirização no Congresso Nacional.

Ainda pouco familiarizado com essa indústria inovadora, o Brasil tem à sua frente uma ótima oportunidade para colocar a produção nacional no caminho para o futuro, tirando proveito do cenário atual (com fatores como a valorização do dólar frente ao real e outras moedas, que podem aumentar a competitividade da nossa indústria) e do mercado consumidor externo. Mas é preciso investir em tecnologia, aumentar a produtividade e agregar valor. Para que a indústria de um país tenha sucesso, o foco tem de estar na inovação.

*André Felipe é diretor de marketing da Siemens PLM.

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