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Como ganhar a atenção do público em tempos de smartphone

Fazer uma apresentação na era dos smartphones pode ser um desafio. Seja uma palestra ou uma reunião, ao menor indício de tédio, as pessoas dispensam a etiqueta e começam a responder e-mails, checar as mídias sociais e até jogar candy crush. A crescente dificuldade de prender a atenção das pessoas não é apenas desgastante; isso afeta os seus resultados profissionalmente. No meio corporativo, apresentações ruins causam vários problemas: dificuldade de vender e desenvolver projetos, reuniões longas e improdutivas, comunicação interna falha e desalinhamento de informações. Perde-se tempo, dinheiro e oportunidades.

Levando-se em conta o que está em jogo, não parece exagero que muitas pessoas tenham até pânico de falar em público. Segundo estudo da Universidade de Chapman, este é o maior temor de 25% da população, e supera até do medo de altura e da morte.

A solução? Estar bem preparado. Competir por atenção com o celular demanda técnica, e não apenas treino, principalmente quando a sua apresentação possui muitos detalhes que precisam ser abordados e o seu público é variado, evolvendo pessoas com diferentes formações, atribuições e interesses. Por mais que você se prepare, estude o assunto de ponta a ponta e fale com muita propriedade sobre um tema, sempre tem alguém que se desliga completamente. Segundo estudos de neurociência, o tempo máximo de atenção contínua das pessoas varia entre 10 e 20 minutos – e este pode ser um dos seus maiores problemas na era da revolução digital, em que as pessoas olham para o celular a todo momento.

Surpreenda: se sua apresentação começa de maneira tediosa e previsível, o seu público já tem uma expectativa bem clara de como será o resto. Traga uma informação curiosa, uma pergunta inesperada, um gancho que intrigue o seu público e crie uma conexão entre vocês. Se ele estiver convencido de que será levado a uma jornada, você terá toda a atenção do mundo.

Emocione: seja técnico quando necessário, mas emocionante quando possível. Nós somos movidos a emoções e se a sua apresentação não tiver esse elemento, ela provavelmente será ignorada. O TED mais visto de todos os tempos é sobre reforma educacional, um tema com a notável capacidade de colocar as pessoas para dormir. Mas, intercalando dados e profundas críticas sociológicas de um lado, com histórias e humor de outro, Sir Ken Robinson conseguiu chamar a atenção de mais de 50 milhões pessoas sobre um tema extremamente complexo.

Entender que uma apresentação é uma forma de servir ao outro, de compartilhar uma ideia que pode transformar a vida para melhor é uma mudança de perspectiva profunda. Quando o interesse do seu público vier em primeiro lugar, você será capaz de fazer apresentações que conseguem inspirar de uma forma que você nunca fez antes. Não é à toa que o slogan do TED é ideias que merecem ser espalhadas.

Atenção é um recurso escasso. Cada um de nós tem uma quantidade bem limitada a cada dia e é responsabilidade do apresentador provar que a merece. Ao preparar uma apresentação que pensa na audiência trazendo emoção, novidade e as informações mais importantes, você oferece o que o seu público veio buscar – e aí não tem celular que consiga competir com você.

*Por André Arcas, fundador e coach de palco da Arcas Treinamentos. Advogado formado pela USP, estudou empreendedorismo e inovação por Stanford, negociação em Harvard, storytelling pela IDEO e PNL (Programação Neuro-Linguística) na SBPNL.

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