Notícias

Como abordar o cliente sem ser invasivo?

Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três? ” O enigma da Esfinge de Tebas, da obra “Édipo Rei”, de Sófocles, e um dos quebra-cabeças mais famosos da história, pode servir como uma boa metáfora para um dos principais desafios do varejo atualmente. Ainda mais se considerarmos a resposta: o “homem” durante a vida (que engatinha quando bebê, anda como adulto e se apoia em uma bengala quando idoso), que poderia muito bem ser traduzida para “o cliente” nessa nova realidade da experiência de compra.

A crescente exigência do consumidor não é novidade para mais ninguém. As marcas têm se planejado e procurado investir na multicanalidade para chegar até ele e, sobretudo, encantar, por meio de uma abordagem agradável, relevante e realizada de acordo com sua preferência. Entretanto, jornadas ruins acontecem e, muitas vezes, quando não há uma falha grave, o varejista simplesmente perde o cliente, sem qualquer reclamação formal ou motivo aparente.

Cada consumidor hoje precisa ser decifrado, e os dados assumem um importante papel para mostrar padrões de comportamento, tanto nas lojas físicas quanto nas virtuais. Essas informações proporcionam um leque de possibilidades para ações personalizadas. Porém, a tentação de utilizar tudo o que está ao alcance pode fazer o gestor ultrapassar uma linha tênue da privacidade.

Vivemos em uma era em que tudo está conectado, já são bilhões de dispositivos de IoT – Internet das Coisas – em uso. A previsão, segundo o Gartner, é que sejam 20 milhões de gadgets conectados até 2020, fornecendo um volume gigante de dados. Por esse motivo, a Comunidade Europeia já vem discutindo o Regulamento de Proteção de Dados Pessoais, conhecido pela sigla em inglês “GDPR”, e o governo brasileiro também está prestes a apresentar o Plano Nacional de IoT, visando à criação de políticas, diretrizes e boas práticas do uso das informações pessoais, financeiras, de localização, entre outras.

De forma geral, o debate deve ser amplo e profundo, afinal, também é preciso garantir os direitos de todos os lados. Mas o bom senso é primordial. A utilização de informações de comportamento para aprimorar a gestão das operações é uma opção altamente aceitável, tanto quanto para um atendimento mais pessoal, provendo facilidade para encontrar produtos de interesse ou para o esclarecimento de dúvidas. Ações inteligentes de CRM, omni-channel ou até por localização (geomarketing) inclusive elevam o padrão de qualidade no atendimento na percepção do consumidor.

A experiência torna-se negativa quando as informações são usadas de forma aleatória, insistente e em excesso. Muita gente se sente invadida com simples ações, como a solicitação do CPF para uma simples compra em uma loja de conveniência ou no supermercado, por exemplo.

O fato é que o varejo tem se reinventado e o futuro desponta com lojas de autoatendimento, show room para compras virtuais, além do reconhecimento do cliente, uma vez que a integração dos canais e de bancos de dados das empresas parceiras já é uma realidade. Basta garantir que o cliente seja surpreendido de forma positiva, ou a má experiência poderá devorar a reputação da marca.


(*) Walter Sabini Junior é sócio-fundador da FX Retail Analytics

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

17 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

20 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

22 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

2 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago