Categories: Notícias

Como a transformação digital pode levar o CIO ao board

Há vários anos ouço a queixa dos CIOs de que eles não são mais envolvidos nas decisões estratégicas de suas empresas e que, no máximo participam das decisões táticas. Um CIO mais irreverente me disse uma vez: “Não somos C Level coisa nenhuma! Só somos chamados para a reunião do board quando o projetor não está funcionando.”

Os CIOs surgiram e tiveram sua época de ouro junto com a ascensão da internet. Naquela época sugiram as “Ponto Com”, ancestrais das startups, que iriam mudar o mundo com as suas novas tecnologias. E TI estava no centro dos negócios nascentes e o CIO tinha seu lugar à mesa de decisões. Logo depois disso veio o estouro da bolha de internet, a tecnologia não entregou as grandes expectativas prometidas e o CIO começou a perder relevância no tabuleiro corporativo.
Um dos pontos baixos da trajetória do cargo de CIO aconteceu com a publicação do artigo de Nicholas Carr, “IT Doesn’t Matter”. Ele afirmava que, apesar de importante, TI se transformaria em commodity e não traria diferencial competitivo sustentável para as empresas. Segundo ele, nenhuma inovação diferenciadora viria da tecnologia, mas que esta se tornaria uma fundação barata e acessível para todas as empresas, não compensando altos investimentos.
Nicholas Carr olhou para a TI existente em 2003, principalmente para a infraestrutura de TI. Muita coisa mudou de lá para cá. Realmente a TI de sua época virou uma fundação barata e acessível. O que ele não previu é que esta antiga TI serviu de plataforma para uma série de inovações e modelos de negócios, para uma nova TI.
De alguns anos para cá a tecnologia ficou tão pervasiva que dividir negócios físicos dos puramente baseados em software não faz mais sentido. Todos os negócios ficam mais e mais digitais. E no mundo digital, TI importa muito. Pergunte para a Netflix e para a Blockbuster (ou para o que restou dela) se tecnologia importa. Para vários outros segmentos, TI importa dolorosamente ou é uma fonte de receita que até então inexistia. Novas formas de uso de tecnologia vão ter impacto em um número crescente de segmentos de mercado, onde vários negócios são ou serão reescritos por software.
O Gartner cunhou uma expressão que ajuda a entender sobre como as coisas mudaram: TI Bimodal. O bimodal se refere às duas faces de TI, a primeira face compreende a infraestrutura de TI (servidores, redes, ERP, etc) e a segunda representa as possibilidades de diferenciação e inovação digital. Nicholas Carr acertou sobre a primeira TI, só não imaginou que a roda da inovação continuaria girando e criando novas possibilidades. O CIO tem uma nova chance nessa segunda parte de TI, onde uma nova onda de produtos e serviços digitais serão criados.
O CIO tem a oportunidade de liderar as mudanças de transformação digital em suas companhias. Provavelmente ele é o executivo mais preparado para entender as tecnologias inovadoras e as novas possibilidades que elas trazem. Mas capturar esta oportunidade exige uma mentalidade diferente do CIO. Ele deve ficar mais longe da infraestrutura de TI e mais próximo das oportunidades de negócio.

Se o CIO não ocupar o papel de liderança na transformação digital, outro executivo o fará, pois a pressão para tornar os negócios digitais será cada vez maior por parte da alta gestão. Os candidatos ao cargo, no lugar do CIO, serão os suspeitos de sempre: os executivos de marketing e os das áreas de negócio. A vantagem deles é que agora já estão mais íntimos das tecnologias digitais do que a uma década. E tecnologia para eles não é discutir COBIT ou ITIL, mas sim pensar nas oportunidades de negócio que ela traz.

No final do artigo “IT Doesn’t Matter”, Nicholas Carr previa que a área de TI se tornaria tediosa e burocrática. Só que TI tem novamente a oportunidade de se tornar um centro nervoso da empresa. Tudo dependerá de como o CIO olhará para esta oportunidade. Ele pode tanto liderar o processo de transformação digital quanto provar que Nicholas Carr estava certo. It’s up to you, CIO!

*Luis Dosso é diretor comercial da Dextra

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

2 dias ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

2 dias ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

2 dias ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

3 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

3 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

3 dias ago