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Commodities 4.0: BRF usa TI para uma cadeia de suprimentos mais eficiente

A multinacional brasileira do ramo alimentício BRF movimenta números impressionantes em sua cadeia de suprimentos. Sua demanda por milho para a fabricação da ração de animais, por exemplo, representa, em média, 8% do volume total do grão consumido anualmente no país. Em toda sua cadeia de commodities agrícolas, são mais de 2,3 mil produtores rurais, cerealistas, traders e cooperativas envolvidos com a empresa.

Para garantir a procedência de todos os insumos utilizados e tornar o processo de aquisição de grãos mais sustentável, eficiente e competitivo, a BRF tem apostado em uma combinação de novas tecnologias – incluindo inteligência artificial, machine learning, analytics e monitoramento geoespacial – e em uma jornada de digitalização. A iniciativa, organizada no chamado projeto Commodities 4.0, foi a vencedora do prêmio As 100+ Inovadoras no Uso de TI de 2021 na categoria Indústria de Alimentos, Bebidas e Fumos.

Hoje automatizada pelo projeto, a área de commodities da BRF historicamente dependeu de informações obtidas manualmente e através de múltiplas fontes, incluindo de fontes governamentais e de compradores que circulavam entre produtores do país. O processo manual de monitoramento resultava em bases de dados ineficientes e complexas.

Nesse contexto, a companhia reuniu suas equipes de Commodities e Tecnologia para buscar um melhor posicionamento estratégico da BRF para aquisição de insumos, orientado por dados e insights preditivos. Além de apostar no desenvolvimento de soluções próprias, a BRF contou com a parceria da Agrotools no projeto.

“[Hoje] a gente tem uma visibilidade de todas as lavouras, todos os plantios, e em cima disso podemos identificar oportunidades de compra, fazer uma estimativa do que vamos ter disponível e como vai ser a safra, conforme o clima e outras variáveis”, explicou Antônio Carlos Cesco, diretor de Tecnologia da BRF, em entrevista ao IT Forum. “Juntamos tudo isso com o desenvolvimento de modelos preditivos para gerar insights que nos dão uma visibilidade de até 24 meses [de antecedência] para possíveis riscos de quebra de safra e para o comportamento de preços”.

Na prática, isso possibilita à empresa, por exemplo, buscar grãos alternativos no mercado, como o sorgo, caso seus sistemas de predição antecipem problemas com seus fornecedores de milho. Desde o começo deste ano, quando o projeto já havia sido colocado em produção, a empresa já alcançou economias de R$ 9 milhões dentro de sua cadeia de suprimentos.

Além da vantagem de negócio, o projeto Commodities 4.0 também foi orientado pelas ambições ESG da BRF. A empresa busca garantir a procedência de 100% dos grãos adquiridos dos biomas Amazônia e Cerrado até 2025, evitando assim a aquisição de insumos provenientes de áreas desmatadas ilegalmente.

Desenvolvimento remoto e reskilling

A digitalização da cadeia de suprimentos da BRF, é claro, não foi sem suas dificuldades. Um dos principais desafios enfrentados pela companhia foi a migração completa de suas equipes para o modelo de home office, após decretada a pandemia da COVID-19 em março de 2020.

Como apenas um dos cerca de 80 projetos de transformação digital que a BRF desenvolve, o Commodities 4.0 precisou rapidamente ser adaptado para o contexto remoto.

“Quando a gente trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia nova, o ambiente de cocriação e colaboração presencial é mais proveitoso. Mas como não tínhamos outra opção, fomos nos adaptando da melhor forma”, contou o diretor de Tecnologia da companhia.

Gerenciar as expectativas das lideranças em visualizar as entregas em um modelo de gestão ágil também foi considerado um passo desafiador. Para isso, a TI priorizou sprints com funcionalidades que atingissem o cumprimento dos requisitos socioambientais, de sustentabilidade e de rastreabilidade do projeto. O gerenciamento da mudança foi reforçado com ações de comunicação e engajamento para utilização do novo modelo nas rotinas comerciais dos compradores da empresa.

As dificuldades, no entanto, também trouxeram aspectos positivos. Organizado através da metodologia ágil, com times compostos por representantes de diferentes áreas da empresa, o projeto é considerado um marco para a aproximação entre TI e negócio dentro da BRF o que, na avaliação de Cesco, é um importante legado da iniciativa.

“Quando a gente traz tecnologias de automatização, consequentemente, todo o ecossistema, todos nossos colaboradores envolvidos, passam por um processo de reskilling. Eles saem de um trabalho operacional e vão para um trabalho mais analítico, mais transformacional. Esse é um dos grandes objetivos também”, pontuou.

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