Com lema ninguém faz sucesso sozinho, CIO da Nufarm engaja equipe

Quando deixou a Mineração Taboca para assumir a TI da Nufarm na América Latina em 2013, Marcos Bueno de Oliveira sabia: o desafio não seria dos mais fáceis. A empresa havia traçado o planejamento de sair de R$ 1 bilhão de faturamento em 2013 para chegar aos R$ 3 bilhões em 2020. Para isso, era preciso uma ampla transformação digital.

Em princípio, Oliveira lembra que a companhia já havia mapeado a instalação da plataforma de Customer Relationship Management (CRM) da Salesforce, projeto que seria sua primeira missão no cargo. “Mas percebemos que era preciso modernizar toda a infraestrutura, serviços de ERP e aplicações diversas que estavam em servidores locais”, lembra o executivo, primeiro colocado do Executivo de TI do Ano 2018, na categoria Indústria química, petroquímica, óleo e gás, prêmio promovido pela IT Mídia em parceria com a Korn Ferry.

O projeto, que está sendo executado mundialmente – a empresa atua em 101 países -, estabeleceu uma transformação radical da empresa. “Regionalmente, fui e estou sendo foco para o desenvolvimento do projeto, e identificamos, após vários estudos, a necessidade da empresa ser One Nufarm: One Goal, One Process, One Team”, explica.

Mais do que a urgente necessidade de modernização de sistemas e processos, Oliveira tinha um objetivo talvez ainda mais complexo, o de engajar e motivar sua equipe, que, segundo ele, estava desacreditada e sem protagonismo na companhia.

O executivo conta que, quando chegou à empresa, encontrou uma equipe desgastada e que não acompanhava tudo que as áreas de negócios necessitavam da TI. “A área funcionava como fornecedor e a relação com o cliente interno estava desgastada”, comenta.

Ele se lembra de um episódio quando conversou com o diretor de Operações – ao qual a TI reportava (agora o setor responde ao presidente) -, que mostrou as últimas avaliações do time – do nível mais alto do setor ao profissional do help desk: notas horríveis, segundo ele.

Um por todos, todos por um

Foi quando Oliveira decidiu trabalhar como uma espécie de técnico de futebol. “Eu precisava mexer com o brio dos nossos profissionais”, lembra. Para isso, o executivo adotou uma estratégia muito utilizada por comissões técnicas esportivas: mostrar os comentários negativos para criar o efeito reverso. Em vez de deixá-los desmotivados com avaliações ruins, motivá-los para que possam provar o contrário. No esporte profissional, os treinadores muitas vezes reúnem comentários negativos da imprensa e de torcedores para terem ainda mais motivos para incentivo aos seus atletas. No caso de Oliveira, as avaliações foram o incentivo para mudar o panorama do time de TI.

“Vocês estão mal na fita. O que querem fazer: continuar dessa forma ou melhorar?”, disse à época. “Foi um trabalho de formiguinha e hoje esse case é usado internacionalmente. Atualmente, nossa equipe é solicitada pela matriz na Austrália ou para dar suporte na América Latina etc. Inclusive, estamos transferindo um profissional para uma posição de coordenação em Curitiba. Foi brio, coaching e gerenciamento de pessoas”, diz.

A estratégia fez com que a equipe de 40 pessoas se mantivesse praticamente intacta. “Houve um ou outro ajuste, mas essencialmente ninguém pediu demissão. O turnover da TI é o mais baixo da empresa.”

Ninguém faz sucesso sozinho

“Todo esse sucesso eu honro ao time que lidero. Quem faz a coisa acontecer é a equipe”, resume. Oliveira faz questão de reconhecer os esforços dos profissionais. Ele até brinca que prefere até ganhar o prêmio As 100+ Inovadoras no Uso de TI, também promovido pela IT Mídia, que reconhece um projeto da TI que trouxe impacto aos negócios.

No caso das 100+, o reconhecimento é para toda empresa. Mas, claro, ele comemora muito o resultado da atuação premiação. “O Executivo de TI do Ano parece um prêmio mais particular para o CIO, mas na verdade meu time sabe que estou lá representando a Nufarm e o esforço de todos. A vitória é do nosso time.”

TI nos negócios

O grande trunfo dos últimos anos para Oliveira é ter de fato integrado a TI aos negócios. Daquela meta de faturamento para 2020, o executivo afirma que a empresa já cumpriu 80%. “O valor que era de R$ 3 bilhões para 2020 já deve chegar a R$ 2,3 bilhões neste ano. Parece que não temos dúvida que vamos chegar. Do que depender da TI, estamos bancando”, comemora.

O roadmap da transformação digital da Nufarm foi dividido em etapas, com a maioria delas já cumprida. As fases são:

1 – Unificação do ERP da empresa (Oracle);

2 – Unificação das ferramentas de Supply Chain e Demand Planning (Oracle);

3 – Unificação da ferramenta de eMail (Office365);

4 – Unificação da ferramenta de Procurement (SAP-Ariba);

5 – Unificação da ferramenta de Gestão de RH (SAP – Success Factors);

6 – Unificação da ferramenta de Gestão de Despesas (Concur);

“Dos itens acima, apenas não fizemos o primeiro, que já está concluído na Europa”, detalha.

“Mantivemos o time e implementamos Salesforce, colocamos todos nossos servidores transformando em virtuais. Usamos cloud privada e pública, e mudamos os e-mails pra Office 365. Tudo faz parte transformação digital”, lista.

Outro item destacado por Oliveira foram os avanços em supply chain, com entregas mais otimizadas e modernas. “Foi um boom absurdo tudo isso que aconteceu. Quem alguém quer fazer algo hoje na Nufarm, chama a TI por que percebeu que demos um novo posicionamento. No geral, foi uma mudança cultural ao extremo, superação de expectativas, quebra de paradigmas e paradoxos”, conclui.

Finalistas da categoria

1º Marcos Bueno de Oliveira – Nufarm

2º Emilio Burlamaqui – Bayer

3º Vanderlei Andrade – FMC

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