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Com edge e nuvem, Lenovo ISG quer digitalizar ‘toda experiência humana’

“Governos e empresas precisam instrumentalizar com sensores e dispositivos o mundo todo, toda a experiência humana”, diz em entrevista exclusiva ao IT Forum o Chief Customer Officer (CCO) da Lenovo ISG, Wilfredo Sotolongo. O executivo panamenho – cuja carreira se desenrolou principalmente nos EUA, por 13 anos na IBM e agora quase oito na Lenovo – esteve no Brasil essa semana para um evento da empresa.

O Infrastructure Solutions Group, ou ISG, é a divisão da Lenovo responsável por soluções de infraestrutura de TI. Essa divisão corporativa da marca chinesa – mais conhecida no Brasil pelos dispositivos pessoais, principalmente notebooks, além dos populares celulares da Motorola – tem apostado muitas fichas na computação de borda, ou edge computing, e deixou isso claro não só nas declarações feitas por Sotolongo ao longo do Tech Day, mas nos próprios anúncios reservados para o evento.

O principal deles foi a expansão do portfólio ThinkEdge no país, com o lançamento do servidor SE450. A promessa do equipamento é entregar uma plataforma compacta de processamento equipada com inteligência artificial na borda para “acelerar insights de negócios”, como define o comunicado enviado à imprensa.

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A descentralização do processamento para além das fronteiras do data center é elencada pelos executivos da empresa como uma necessidade para muitas indústrias, considerando a quantidade de dados gerados nas inúmeras aplicações rodando “nas pontas”. Dados do Gartner citados pela própria Lenovo apontam que 75% dos dados gerados pelas empresas serão processados na borda até 2025, e 80% dos projetos de IoT incorporarão IA até 2022.

“Todo aspecto da tecnologia está mudando. No nosso caso, temos múltiplas estratégias. Estamos permitindo uma variedade de opções que não existia antes”, ressalta Sotolongo, se referindo à possibilidade de ter workloads rodando na nuvem pública, privada, ou mesmo distribuída nas pontas. E completa: “O movimento de software aberto, de virtualização de tudo, seja de armazenamento ou rede. É uma transformação massiva da arquitetura, que francamente é linda.”

Para além do portfólio de edge computing, Sotolongo dá algumas dicas a respeito da estratégia da Lenovo ISG no mercado brasileiro. Segundo ele, no País a empresa é “número 1 entre [os mercados de] PC e infraestrutura”, quando no resto do mundo costuma estar em terceiro lugar no de data centers. “Nossa aspiração é nos tornarmos o maior provedor de soluções de TI na América Latina nos próximos três ou quatro anos”, diz.

Parte desse objetivo passa por aproveitar a força da marca nos segmentos de consumo – PCs e smartphones. No segmento corporativo, por reforçar entrada em grandes players de serviços em nuvem, globais (AWS, Microsoft e Google) e regionais (Embratel, Claranet). Esses service providers são, “de longe”, o maior mercado atual da Lenovo ISG no país, seguido de varejo e telecomunicações.

“Seja em PC, telefone ou data centers, o Brasil é top 10 de mercado [no mundo para a Lenovo ISG]. Isso torna o país imediatamente atrativo. É uma prioridade”, pondera Sotolongo. “Temos uma fábrica em Indaiatuba que está crescendo forte conforme crescemos. Quero continuar investindo [em fabricação local].”

Mais estratégia local

Claudio Stopatto, novo country manager da Lenovo ISG no Brasil, deixou claro durante coletiva de imprensa, que antecede o Tech Day, o quão importante o mercado nacional é para a empresa. “A companhia teve recorde de resultados nos último ano, inclusive na América Latina. Nossas margens cresceram mais rápido que o esperado, particularmente na América Latina, que cresceu 73% ano a ano”, ressaltou. “E o Brasil corresponde a 43% da receita da região. É um mercado muito importante em todos os sentidos.”

Claudio Stopatto, que assumiu o posto de country manager da Lenovo ISG Brasil em outubro de 2021 (Foto: Divulgação)

Segundo Sergio Severo, presidente da Lenovo ISG para a América Latina, a companhia seguirá não só investindo globalmente em computação em nuvem e edge computing – cuja combinação é chamada de smart edge cloud – como também disponibilizará essas soluções para os canais da região. Segundo Stopatto, o investimento em pesquisa e desenvolvimento cresceu 60% no mundo em 2021, e deve duplicar em três anos.

Para o country manager, ao longo do período de pandemia, muitos clientes sofreram para ajustar orçamentos e modernizar arquitetura diante da mudança de cenário. Agora, acredita ele, vai haver um retorno nos investimentos em data centers, entre outras necessidades de TI que “ficaram para trás”. E a computação de borda é uma delas.

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