Com consumerização, Embraer dá atenção especial a riscos trabalhistas

O processo de consumerização e trabalho remoto na Embraer trouxe uma preocupação importante: o controle do acesso dos funcionários, com o cuidado de não colocar a empresa em risco juridicamente por conta do excesso de horas trabalhadas. A questão, portanto, é muito mais trabalhista do que em termos de segurança de TI, especificamente falando.
A apresentação feita pelo CIO da empresa, Alexandre Boulè, durante sessão Intercâmbio de Ideias, debate com cerca de 20 pares, realizado neste sábado (28/04) na 14ª. edição do IT Forum, realizado na Praia do Forte (BA), com cerca de 200 CIOs das 500 maiores empresas do Brasil. Dos cerca de 20 participantes do debate, dois deles já estavam em processo de consumerização. A empresa investiu R$ 100 mil no projeto. O serviço fornece o conceito de desktop virtual com a fornecedora Citrix, que atende a diversos tipos de dispositivos e sistemas operacionais. O custo das licenças é difuso, depende do catálogo de produtos que o funcionário quer ter de acesso remoto. A oferta de software como serviço (Saas, da sigla em inglês) fica em torno de R$ 20.
?Chegamos à conclusão de que o maior problema que tínhamos no processo era jurídico e RH?, disse o executivo, sobre o projeto desenhado no fim de 2010. A implantação da fase inicial foi no início de 2011. Atualmente, a companhia passa para a terceira fase, que é de massificar o acesso aos colaboradores, entre outros pontos, como a melhoria da solução de bloqueio do hotspot e controle de mass storage devices (dispositivos de armazenamento em geral) através da solução de data loss prevention (DLP). O acesso se dá via portal Embraer e não é permitida a cópia local de arquivos. Além disso, todo o dispositivo que acessa o ambiente é verificado pelo sistema: se não houver autorização para chegar a determinado conteúdo, o acesso é negado.
Vale citar que a companhia utiliza o iPad, da Apple, como tablet padrão, mas aceita outros modelos, no caso de haver suporte da Citrix, sua fornecedora de desktop virtual, dentro de um processo de segurança Kaizen. Até o momento, já foram concedidos 400 iPads para seus cerca de 17 mil funcionários. ?Compramos uma média de cem tablets por mês?, disse Boulè. São, no total, cerca de 15 mil end points. O dos dispositivos à web acesso é feito via conexão 3G e wi-fi. A empresa utiliza proxy reverso para garantir que esse tipo de execução não abre porta de acesso para visitantes indesejados.
A grande questão é o respeito à exposição jurídica. ?A TI é responsável por implementar a ferramenta e garantir que ela esteja disponível. Se o gestor usa ou não, já é outra questão?, disse, concordando que todo o negócio tem um risco e que, no caso da consumerização, o trabalhista é o que chama mais a atenção. Há controle de horas acessadas ao dia e, caso um colaborador queira entrar no ambiente durante o período de férias, por exemplo, ele não tem acesso. ?Nossa política é o espelho da legislação trabalhista?, ponderou.
E, de certa forma, a decisão é do negócio. ?A área trabalhista achou o risco aceitável. O volume de litigância já existente na Embraer não deve aumentar ? com uma série de controle já implantados ? então melhorou o controle. Melhoramos essa administração de risco?, disse.
Além disso, vale citar que quando um usuário quiser trazer um dispositivo pessoal para o trabalho, precisa assinar um termo garantindo a procedência do aparelho ? garantindo que ele não seja contrabandeado, por exemplo ? e assumindo os riscos no caso de haver algum probelma do tipo. Outra questão é o aceite das regras no momento em que a pessoa acessa o desktop virtual. ?A TI quer liberar. A TI da Embraer tem como parte da sua missão ser uma alavanca de inovação queremos atender às necessidades da empresa?, comentou.
Help Desk
A questão do suporte aos novos dispositivos chama a atenção. No caso da Embraer, é definido que há help desk ao hardware somente no caso daqueles concedidos pela empresa. Os demais recebem atenção em termos da plataforma Citrix, mas a companhia não se responsabiliza se o usuário, por exemplo, estiver com problemas de acesso por conta de uma conexão local à internet deficitária.
Presente na mesa, a CIO da Petrobras Distribuidora, Eliza Mihaguti, comentou que esse é um ponto de dificuldade na companhia. ?Está havendo uma preocupação de suporte, porque muitos usuários são de alta diretoria e é difícil não dar suporte. Então estamos criando equipes especializadas em alguns dispositivos?, pontuou.
Carlos Queiroz, do Grupo Globo, disse que ter implantado uma iniciativa de forum online para que seus colaboradores façam o chamado autossuporte. ?Para os jovens isso é tranquilo, porque eles estão acostumados?, comentou. De qualquer forma, o consenso foi de que no caso de dispositivos com plataforma da Apple, seja iOS ou OSX, a dificuldade de manuseio é menor ?A experiência é menos traumática do que no ambiente Windows?, disse Queiroz.
