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Cloud começa a ganhar espaço nas empresas

Meados de 2008. Em uma lousa, os profissionais da Azul Linhas Aéreas desenhavam a tecnologia que ajudaria a companhia a decolar em dezembro daquele ano. Durante o período de definição da infraestrutura, duas opções vieram à pauta: montar um data center próprio para atender aos períodos normais e adotar computação em nuvem para suportar os picos ou superdimensionar o equipamento para os momentos de forte demanda (e consequente ociosidade em tempos amenos). “Vamos para cloud computing”, pensou o gerente-geral de TI da empresa, Kleber Linhares, apontando a escolha como alternativa mais sensata para reduzir o investimento inicial e assegurar o processamento necessário.

Computação em nuvem já havia entrado no discurso dos fornecedores há um bom par de anos, mas, quando o executivo buscou serviços desta natureza encontrou ofertas, no mínimo, desestruturadas. “Tudo era muito iniciante”, justifica o gerente, explicando que a ideia da equipe da Azul era colocar o front end de internet no conceito. Linhares não concretizou seus planos. “Não conseguimos achar um modelo comercial adequado ao tipo de demanda na qual eu pago apenas de acordo com o que preciso”, revela o executivo, que teve a sensação que os fornecedores não utilizavam um processamento ocioso, mas montavam uma estrutura para entrega, o que elevava os custos.

A Azul esbarrou ainda em outro ponto crítico. “Não vi ninguém apresentar algo que tinha minimamente um padrão de segurança”, comenta Linhares, dizendo que, quando somou este aspecto às incompatibilidades financeiras, decidiu esquecer, por um tempo, a ideia e montar sua própria infraestrutura de processamento com capacidade para um “pouquinho” além da normalidade para suportar os picos. Mas, vale ressaltar, a jovem companhia aérea roda um bom número de aplicações no modelo de software como serviço (SaaS, na sigla em inglês) que, de certa forma, está inserido na onda de computação em nuvem. No entanto, pontua Linhares, uma coisa não tem muito a ver com a outra. “Sai um pouco da questão. Cloud cai mais num conceito de processamento universal”, opina. Na Azul, estão na modalidade os sistemas de frame de aviação, de faturamento e de gestão de relacionamento com clientes (CRM), alguns rodando no servidor próprio, o que se configura, em alguns casos no conceito de nuvens privadas.

Esse ponto, de fato, explicita a falta de um conceito universal sobre o que é computação em nuvem. O Gartner a define como um estilo computacional no qual as capacidades de tecnologia podem ser massivamente escaláveis, consumidas no padrão “como serviço” e rodando sobre plataformas de internet. O discurso da IDC o classifica como um emergente modelo de desenvolvimento, estruturação e entrega, capaz de fornecer soluções de TI em tempo real, também pela internet. Por sua vez, fornecedores usam a palavra cloud dentro de um mix de conceitos tecnológicos tradicionais como arquitetura orientada a serviços (SOA), SaaS, virtualização de servidores, clusters, business process management (BPM), thin client, web 2.0 e compartilhamento de data centers – deixando o conceito ainda mais difícil de ser traduzido. Mas a propaganda vem dando certo. Prova disto está nos projetos que começam a aparecer.

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