DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e um doutorado pela frente. Hoje, como vice-presidente sênior e diretor-geral de software e plataforma de inteligência artificial da Cisco, é o responsável pelo maior anúncio do Cisco Live 26*: o Cloud Control, plataforma que une gerenciamento de redes, segurança, computação e colaboração em um único ambiente operado por agentes autônomos.
Antes disso, passou por um laboratório de mídia do MIT, por projetos classificados para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, por uma empresa de segurança de contêineres vendida para a Red Hat e por uma segunda startup, a Armorblox, vendida para a própria Cisco três anos atrás por cerca de US$ 45 milhões. “A primeira aquisição me permitiu comprar uma casa na Califórnia. Do contrário, era impossível”, diz Sampath, em entrevista ao IT Forum.
No palco do Cisco Live, Sampath disse ao sistema apenas que o telefone do presidente e diretor de produtos da Cisco, Jeetu Patel, não estava conectando à rede. Sem mais detalhes. O agente identificou que o problema não era a rede em si, mas um túnel de conexão entre unidades que havia falhado, diagnosticou a causa e propôs a correção.
“Normalmente você teria que acessar painéis diferentes, rodar uma série de comandos, entender o que está acontecendo e montar o quebra-cabeça sozinho. O agente entende a intenção e executa”, diz Sampath. A nova camada de abstração, segundo ele, leva cerca de dez anos para amadurecer, mas já está em movimento. “As coisas estão se movendo mais rápido do que qualquer coisa que já vi.”
A plataforma se apoia em três pilares: telemetria integrada entre domínios diferentes da rede, modelos de inteligência artificial desenvolvidos para fins específicos e agentes com identidade verificada e escopo controlado. “Antes não tínhamos agentes, não tínhamos modelos sofisticados o suficiente. Agora temos. É um momento arquitetonicamente diferente.”
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Para quem teme que a automação reduza equipes, Sampath afirma que o Cloud Control não substitui administradores, muda o que eles conseguem fazer. “O que os agentes oferecem são capacidades sobre-humanas para seus operadores, para que possam fazer muito mais com muito menos”, diz. Hoje, quando um operador de rede identifica um problema, aciona um operador de segurança, que investiga e retorna com informações que precisam ser costuradas antes de qualquer resolução. O Cloud Control elimina esse ciclo ao cruzar as informações automaticamente. “Se seu operador consegue fazer muito mais, você pode assumir projetos muito mais ambiciosos.”
Isso não significa, porém, que o julgamento humano se torna dispensável. Para Sampath, ele nunca foi tão necessário como agora, porque os agentes ainda não têm acesso ao conhecimento tácito acumulado ao longo de anos de trabalho. O exemplo que dá é concreto: um agente detecta um vírus em um computador e decide apagar todos os arquivos. O operador humano quer salvar as fotos do aniversário do filho antes de formatar o disco. “Você instrui o agente a fazer o backup dos arquivos críticos primeiro. Ele aprende com isso e executa.”
A mesma lógica se aplica ao marketplace da plataforma, que abre com o Codex, ferramenta de programação da OpenAI. A monetização não vem da instalação dos aplicativos, mas do uso. “Você vai consumir unidades de processamento ao usar cada aplicativo. A monetização é proporcional ao quanto os clientes consomem”, diz Sampath.
Nascido em Chennai, no sul da Índia, Sampath chegou aos Estados Unidos para o doutorado em engenharia de computação pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz. Pelo caminho, passou por Berkeley e pelo Media Lab do MIT com financiamento do Departamento de Defesa americano.
A primeira startup foi a StackRox, no segmento de segurança de contêineres, onde atuou como vice-presidente de engenharia e arquiteto-chefe. Foi vendida para a Red Hat. A segunda, a Armorblox, captou cerca de US$ 45 milhões em capital de risco antes de ser adquirida pela Cisco. A decisão de vender veio depois de uma conversa com Patel sobre a visão de inteligência artificial da empresa. “A oportunidade de liderar isso na Cisco era atraente demais para recusar.”
O que um fundador aprende ao entrar em uma empresa de 40 anos e mais de 20 mil vendedores? “Escala”, responde Sampath. “Em uma startup, se eu precisava de algo, gritava pelo escritório e estava feito. Aqui, você tem que ser sistemático, metódico. É um exercício completamente diferente.”
*A jornalista viajou a convite da Cisco
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