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CIOs, nós já chegamos à era da transformação

Já há alguns anos profissionais e executivos de TI vêm falando da necessidade de se preparar para as mudanças, para um novo modelo de pensar e utilizar a tecnologia da informação que começava a se desenhar no horizonte e que, por ser revolucionário, exigiria um novo perfil de profissional. O discurso é antigo, mas poucas vezes foi tão atual.
Depois de anos de previsões e de hipóteses sobre como seria a nova TI, e com ela os novos CIOs, chegou o momento. A tão esperada era da transformação começou de fato e tem mudado não apenas a tecnologia, mas o modo como os processos de negócios se desenvolvem e fluem entre as empresas, cada vez mais eficientes e rápidos.
Esse movimento tem sido alavancado pela grande aceleração da digitalização dos mais diversos segmentos de mercado. Hoje, não se vê mais processo de negócio ou mesmo decisão de consumo, que não passe por um meio digital. Esse movimento tem exigido das empresas conhecer cada vez mais seus clientes, e estar mais próximo deles, e isso por meio de sistemas dinâmicos de TI de alto desempenho. É a informação certa chegando em tempo real às mãos dos decisores.
Logicamente, as mudanças encontram resistências e muitas empresas têm demonstrado receio de alterar seu ambiente tradicional, assumindo o risco de perder novas oportunidades de mercado. Aqueles que querem estar mais próximos de seus clientes precisam mudar sua TI, transformando em soluções concretas conceitos como computação em nuvem, colaboração, mobilidade e muito mais.
Irreversíveis, essas mudanças trazem em si outra transformação, a do perfil do CIO. Para se ter uma ideia, a consultoria IDC estima que 60% dos gastos de TI, em 2014, serão feitos diretamente pelas áreas de negócios. Mais que isso, a partir de 2015, essas áreas deverão investir mais de US$ 100 bilhões em tecnologia. Para não se tornarem supérfluos, os CIOs não podem se tornar competidores dos gerentes de negócios, mas seus parceiros, trabalhando juntos para gerar valor para suas empresas.
Outro estudo, da Forrester Consulting, mostra que 60% dos CIOs europeus percebem a chamada “shadow IT” como uma ameaça. Isso porque, gerentes de negócio munidos de um cartão de crédito conseguem comprar serviços de provedores em nuvem de modo mais rápido do que de suas próprias áreas de TI. Aí a razão da ansiedade dos CIOs atualmente: as áreas de negócio estão ampliando seus investimentos em tecnologias que não são facilmente controláveis pelas áreas de TI, como são os servidores, mainframes e laptops.
A questão é que as áreas de negócio precisam de soluções que as ajudem a alcançar metas específicas de negócios. As áreas de Marketing e Vendas precisam de ferramentas de CRM que ofereçam mais do que o tradicional gerenciamento de clientes. Em outras palavras, soluções que atendam à necessidade de analisar dados de redes sociais, por exemplo. Por isso, elas constroem redes sociais e desenvolvem programas que permitem campanhas gerenciadas de modo muito mais preciso do que antes.
O resultado disso é que um novo universo de TI está sendo criado pelas áreas de Marketing e Vendas e sua diversidade vem crescendo a taxas fenomenais, de modo que dificilmente ele poderá ser gerenciado pelos métodos clássicos de TI. E aí está oportunidade de reinvenção do CIO e suas equipes, que precisam contribuir com sua experiência para o processo como um todo.
Apenas especialistas com conhecimento técnico saberão como integrar essas soluções ao ambiente corporativo de TI; como processos podem ser transferidos para a nuvem; e como aplicativos em desenvolvimento podem ser confiáveis, móveis e, ao mesmo tempo, altamente seguros.
O papel específico do CIO nesse processo é o de parceiro da transformação: ele vai transformar as demandas das áreas de negócios em processos de TI que contribuirão para a criação de valor para a companhia como um todo: fim a fim, seguro, altamente disponível e sem riscos para outras transações de negócios.
De todo modo, a relação entre TI e negócios precisa entender melhor as novas necessidades dos gerentes de negócios. Por exemplo, quando falamos em gerenciamento de clientes: o CRM clássico que recebe atualizações a cada seis meses não está efetivamente atualizado. Além dele, as áreas de negócio precisam da tecnologia em seu local de trabalho não apenas para atender suas demandas, mas para aprender rapidamente como operá-la e utilizá-la sem a necessidade de configurações ou customizações complexas.
Passados alguns anos, finalmente entendemos porque os CIOs precisam conhecer o negócio – mantra repetido exaustivamente nos últimos anos. Eles e seus times têm conhecimento técnico necessário para integrar e fazer rodar a nova TI com a TI clássica. Mas para fazer isso com excelência, ele precisa entender as demandas de negócio. O desafio não é pequeno, mas quem superá-lo vai se diferenciar verdadeiramente no mercado.
*Ideval Munhoz é presidente da T-Systems do Brasil

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