Rick Roy, CIO do Grupo CUNA Mutual, vê diversas similaridades entre cuidar da área de TI e departamento de aquisições, duas áreas sob sua responsabilidade na empresa de serviços financeiros. Para começar, a ajuda da equipe não é universalmente bem-vinda.
Se os líderes de um departamento estão, digamos, felizes em comprar serviços temporários de um fornecedor, eles não ficam, necessariamente, tão empolgados em ouvir que precisam começar comprando por um grupo centralizado ? mesmo que eles compreendam que ter um contrato provavelmente significa vantagem para um preço melhor. Isso é muito parecido com as conversas sob as sombras da TI.
?Nós [de aquisições] corremos o risco de aparecer na porta de alguém com a mensagem ?somos corporativos e estamos aqui para ajudar??, disse Roy. ?Mas isso não é tão diferente do que fazemos em TI?.
Roy tem cuidado das áreas de aquisição, imóveis, segurança física e instalações há mais de um ano, enquanto mantém seus deveres como CIO. Isso começou quando o agora aposentado CFO, Jerry Pavelich, quis uma abordagem mais justa entre compras e pediu que Roy assumisse como líder de aquisições. ?Ele me pegou de surpresa?, admite Roy.
Colocar as áreas de TI e aquisição sob responsabilidade do mesmo executivo fez sentido por várias razões, de acordo com Roy. Uma delas é a realidade de que se um projeto de aquisição está indo em frente, provavelmente terá um componente de TI e a equipe de TI estará envolvida desde o início do processo. Isso é especialmente verdade em uma empresa de serviços financeiros, como a CUNA Mutual, que oferece serviços financeiros como seguro e investimentos para uniões de crédito. A liderança de TI já se envolve nas negociações de diversos contratos para equipamento, software e serviços, portanto tem alguma experiência.
Isso inclui saber as perguntas certas a serem feitas sobre controle de dados, segurança e privacidade, assim como questões acerca de confiabilidade e nível de acordo de serviço relacionados a tempo de atividade e outros fatores de desempenho.
Graças ao novo acordo, Roy acredita que a CUNA tenha ganhado melhor trabalho em equipe em algumas áreas. Por exemplo, as equipes de segurança física e segurança de TI começaram a trabalhar com mais proximidade, especialmente enquanto pensam em segurança de rede wireless e áreas dos prédios em que pessoas diferentes ? funcionários, fornecedores e visitantes ? possam tentar acessar redes wireless.
E sim, é claro que esse tipo de trabalho em equipe pode e acontece sem que se coloque a mesma pessoa como líder de ambas áreas ou sem fazer qualquer mudança organizacional, e a CUNA Mutual tem forte cultura de colaboração. Mas Roy é realista: ?Todos nós sabemos como funciona: quando as coisas estão bem conectadas em uma estrutura organizada, você está alinhado?.
Ser apenas CIO não basta?
Roy está em minoria quando se trata de aquisições ? apenas 12% dos CIOs na InformationWeek 500, no ano passado, também tinham responsabilidades nessa área (8% a mais do que em 2010). É mais comum para os CIOs terem responsabilidades formais em telecom (64%), gerenciamento de processo de negócio (32%) ou inovação (30%). 9% estão à frente de serviços de negócios globais. Recentemente, vimos CIOs adicionarem um cargo ?digital?, geralmente unindo as emergentes oportunidades nas áreas móveis, de e-commerce e análise de cliente.
Entre os grandes nomes em liderança de TI que também têm responsabilidades em aquisição está John Hinshaw, VP de tecnologia e processos de negócio globais da HP. Hinshaw, ex-CIO da Boeing, foi trazido pela CEO Meg Whitman, no ano passado, e recebeu um portfólio amplo, incluindo aquisição, serviços compartilhados, imóveis e operações de vendas, assim como TI. Filippo Passerini, CIO da Procter & Gamble, também é presidente da unidade de Serviços de Negócios Globais da P&G, que inclui mais de 170 serviços diferentes usados pelas unidades de negócio da empresa, desde RH até gerenciamento de instalações.
Tais CIOs com mais de uma função são, geralmente, executivos com longa carreira, como Roy e Passerini, que compreendem as operações de negócio da empresa e os objetivos muito além da tecnologia. Esta situação também significa uma marca profunda na liderança de TI ? se o CIO não puder ou não quiser abrir mão de algumas operações diárias de TI, nenhum dos trabalhos será bem feito.
Mas também significa que as empresas não levam a sério as operações de TI? Cuidar ?apenas? da TI não é um trabalho árduo o bastante?
Roy não acredita que a dupla função diminua a importância da TI. A maioria dos CIOs tem uma visão mais geral de toda a empresa quando cuidam da TI e trabalham como parte da equipe de executivos. No entanto, ?não são muitos que são pagos para trabalhar por toda a empresa?, disse Roy. Serviços compartilhados, como aquisição, fazem sentido para um CIO, porque a TI em si é um dos maiores serviços compartilhados, e o CIO está acostumado a trabalhar com todas as partes da empresa.
Porém, a CUNA Mutual tem uma equipe dedicada à estratégia e arquitetura de TI ? e isso é essencial, segundo Roy, para que ele saiba que as pessoas estão focadas em uma visão de tecnologia a longo prazo. ?Sempre que começo a pensar que a TI está no piloto automático, fico meio paranoico?, disse ele. ?O que estamos deixando passar??
Roy destaca três exemplos que mostram como a CUNA Mutual se beneficia com a TI trabalhando tão próxima de outro serviço compartilhado.
Segurança física: já mencionamos a cooperação relacionada à avaliação e segurança de redes wireless. As equipes de TI e segurança física, até o momento, não ligaram credenciais de funcionários que deem acesso aos prédios/áreas e acesso à rede, que é controlada usando tokens RSA. Mas se a CUNA Mutual mudar o acesso à rede para um sistema de acesso baseado em software em vez de tokens, uma ligação entre controle de acesso físico e acesso à rede pode ser considerada.
Instalações: a empresa está fazendo testes de recuperação de desastre mais compreensivos, disse Roy, em vez de testes em silos. Gerenciamento de unidades de negócios individuais e instalações têm planos sobre para onde as pessoas devem ir caso um prédio/área não possa ser acessada, mas a TI nem sempre teve planos para oferecer acesso à rede e aplicativos àquelas pessoas. Este ano, a CUNA Mutual fez uma simulação de desastre e, segundo Roy, ?foi um grande êxito porque descobrimos vários problemas?.
Aquisição: 1/3 das despesas controladas da CUNA Mutual passam por esse grupo ? não apenas fatores como tecnologia, mas também imóveis e instalações, custos de marketing, benefícios de funcionários, viagens e equipes temporárias. Olhando para essas despesas gerais, encontra-se economia ? como um fornecedor temporário que tinha nove contratos diferentes, com tarifas diferentes para, basicamente, o mesmo tipo de equipe. A CUNA Mutual agregou todos eles para negociar tarifas mais baixas.
Colocar o CIO à frente da área de aquisições aumenta as chances de problemas nos saques e saldo quando é a área de TI fazendo compras. Como Roy explica, sem meias palavras, ?Temos de ter cuidado porque não queremos ser a raposa no galinheiro?.
Saques e saldos incluem ter departamento legal separado da área de aquisições. Existe uma política clara sobre quem deve assinar diferentes tipos de contratos ? geralmente entre quatro e seis pessoas. E, enquanto o escritório de gestão de vendas responde ao Roy, esses funcionários não são parte da área de TI. ?Eles têm toda a autoridade para levantar as mãos e dizer ?esse negócio não pode ser fechado?, disse Roy.
SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…
por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…
A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…
A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…
Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…
DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…