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CIO Insight: A cultura digital corporativa

São notórios os avanços recentes e os altos investimentos em tecnologia que as empresas fazem em busca de eficiência, produtividade, diferenciação e vários outros atributos necessários à sua evolução e sobrevivência. Nota-se que, com o nível de maturidade e opções que o mercado de TI possui atualmente, a maioria dos investimentos em informática traz resultados concretos, diferentemente do passado não muito remoto onde os projetos eram mais fadados ao insucesso.

Mas precisamos intensificar e amplificar os resultados financeiros. Parte nova desta equação vem da cultura digital corporativa.

A cultura digital é exposta por meio de como a empresa emprega, se apóia e se relaciona com a tecnologia. Gastamos muito em infra-estrutura, telecomunicações, plataformas, sistemas e processos, mas vemos pouco dispêndio de energia para quebrar as barreiras da informática com as demais áreas, integrar equipes multidisciplinares, criar um modelo natural de responsabilidades, educar sobre o correto uso da tecnologia, comunicar possibilidades e custos. E, para isto, é necessário uma governança moderna que vai além das certificações e metodologias.

Uma empresa com cultura digital elevada revela valores ocultos ou adormecidos por meio do maior emprego da tecnologia nos negócios. Para isso a informática precisa, antes de mais nada, mostrar uma competência mínima. De nada adianta discursar sobre cultura digital se a informática ainda mostrar freqüentes deficiências primárias como indisponibilidade de sistemas, base de dados pouco consistente, incompatibilidades de ambientes, aplicações inflexíveis, deficiências de segurança, ou ainda, falta de pró-atividade. Resolvido o mínimo esperado, a informática precisa ser o condutor deste processo que é elevar a cultura digital da empresa. Para tanto, a informática não pode se esconder em siglas ou jargões, se omitir de responsabilidades, não contribuir nas definições de negócios ou mesmo fugir da participação de buscar resultados financeiros. A informática moderna precisa estar integrada ao negócio e não ser posteriormente alinhada a ele.

É público que, quando a informática é vista como um mero prestador de serviço, seu valor fica reduzido. Mas para a informática conquistar uma posição diferente, de maior valor, ela tem que estar pronta para as exigências de negócios. A informática precisa ter competências adicionais a ponto de conseguir agregar valor na estratégia e no desenho das soluções de negócios. A tecnologia e as oportunidades de negócios precisam ser exploradas em conjunto. E a empresa que melhor compreender como integrar a tecnologia em seu dia-a-dia, certamente cria um ambiente de trabalho mais eficiente e propício à inovação. Enfim, vivemos perseguindo a sempre válida frase de “fazer mais com menos” e trabalhar a cultura digital da empresa segue fortemente nesta direção.

* Ricardo Fernandes de Miranda é diretor de TI para América Latina da Pirelli Pneus. Ele escreveu com exclusividade para InformationWeek Brasil.

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