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Cinco dicas para fornecer TI a clientes nos Estados Unidos

Em tempos de dólar forte, vender para clientes norte-americanos é o desejo de muitos empresários no Brasil. “Há uma demanda crescente de startups brasileiras interessadas em vender serviços e produtos de TI nos Estados Unidos”, diz Ricardo Normand, sócio da consultoria Drummond Advisors.

O executivo da companhia especializada em transações entre os dois países observa que provedores de tecnologia vivem um contexto favorável e encontram vantagens para abertura do negócio no exterior. Na sua visão, a presença física no país significa um grande salto no processo de internacionalização da empresa para outras regiões do mundo.

“Lidar com intangíveis torna os custos e os impactos tributários menores, por isso abrir uma empresa nos EUA pode ser um caminho mais interessante do que a exportação. Além disso, existem mecanismos de proteção da propriedade intelectual que não são aplicáveis no Brasil, aumentando o valor da empresa”, explica.

Normand listou cinco dicas para uma empresa brasileira de tecnologia se estabelecer em solo americano. Confira.

1. Enxergue além do Vale do Silício. Uma empresa de TI pode ter boas oportunidades em qualquer ponto do extenso território norte-americano. Tudo depende do segmento de atuação, presença de clientes, mão de obra qualificada e, muitas vezes, do impacto do fuso horário em relação à matriz no Brasil, caso haja compartilhamento dos serviços prestados. Antes de escolher o estado ou cidade de destino, faça um estudo amplo que atenda os objetivos e particularidades do seu negócio.

Os requisitos para obter benefícios fiscais e incentivos do governo variam de acordo com o estado, mas, em regra, a capacidade de geração de empregos é vista com bons olhos. Muitas dessas vantagens são aplicadas antes da abertura da empresa – mais um motivo para não deixar a escolha do local para a última hora.

2. Busque informações sobre a legislação tributária. Fatores como tipo de entidade, estrutura societária e local de atuação determinam as implicações fiscais, pois influenciam nos valores das alíquotas, afetando diretamente os rendimentos da empresa.

Normand ressalta que, para reduzir o impacto tributário e maximizar o retorno financeiro, é possível abrir a empresa em um estado americano e atuar em outro. Isso precisa ser definido em um planejamento que deve considerar os tributos cobrados em âmbito federal, estadual e municipal. “Fique atento a tributos que podem ser aplicados em níveis diferentes, como o imposto de renda, que em alguns lugares do país é cobrado pelo órgão federal e estadual”, alerta Normand.

3. Saiba identificar os bens intangíveis – aqueles que não possuem materialidade física, como softwares, marcas e patentes. A cobrança de tributos sobre a comercialização de intangíveis muda conforme o local de atuação, por isso muitos investidores tendem a escolher lugares fiscalmente mais favoráveis. Em paralelo, tenha certeza de que seus bens intangíveis estejam devidamente lançados no balanço da empresa no Brasil, caso contrário haverá dificuldades em transferi-lo para os EUA.

4. Defina o melhor formato da empresa nos Estados Unidos. O escritório de representação é a forma mais comum porque não exige a criação de pessoa jurídica. A filial também não requer PJ, porém implica em obrigações tributárias, como a alíquota máxima de 30% antes do envio de dividendos à matriz. Outra opção é a subsidiária, que consiste na criação de uma pessoa jurídica independente, modelo que, diz Normand, “pode impactar na estrutura tributária da controladora do Brasil”.

Ele acrescenta que a escolha do tipo de entidade depende do perfil do empreendimento e aconselha: “não deixe de fazer, com a ajuda de um especialista, uma análise minuciosa das peculiaridades do seu caso já pensando nas perspectivas futuras da empresa nos EUA”.

5. Crie um plano de internacionalização. “O mercado americano não é para amadores, pois a concorrência é muito maior e mais profissional”, salienta. O empreendedor precisa criar um plano inicial com foco no(s) segmento(s) de clientes que vai atender, proposta de valor e recursos humanos e financeiros para executar o plano.

O ideal é desenhar uma estratégia de crescimento antes mesmo da abertura da empresa. “Quase sempre haverá necessidade de adequação do plano inicial quando a operação nos EUA começar, mas é mais fácil adaptar uma estratégia inicial do que criar uma do zero já com os custos operacionais da operação em dólar”, salienta Normand.

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