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Cidades mais inteligentes, cidades mais transparentes

Cerca de 80% da população da América Latina vive atualmente nas cidades e quando pensamos no potencial do uso de Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) na solução de problemas como trânsito, redução do consumo de energia e recursos naturais, as possibilidades são inúmeras.

Para discutir o papel das TICs na melhoria da qualidade da vida das pessoas que habitam os centros urbanos União Internacional de Telecomunicações (ITU) promoveu na última terça-feira (30) em São Paulo, em parceria com a Telefônica, o Workshop sobre cidades inteligentes na América Latina. O encontro reuniu representantes de empresas de telecom e TI, Anatel, Unesco, ITU, CpqD, entre outros, para debater os principais desafios e iniciativas de criação das cidades inteligentes.

“Temos um grande nível de urbanização e não podemos negligenciar a necessidades de investimentos no desenvolvimento de cidades mais conectadas e, portanto, mais inteligentes na utilização de recursos e na operação de sistemas”, disse Cristine Bueti, conselheira de TICs, meio-ambiente e mudanças climáticas da ITU. No entanto, a evolução desses projetos esbarra principalmente na dificuldade de comunicação entre as políticas públicas federais e municipais e na necessidade de padronização internacional de dispositivos e tecnologias que possibilitem maior integração entre sistemas legados com tecnologias máquina-a-máquina (M2M), destacou a conselheira.

A ITU, dentro do setor de Normalização das Telecomunicações, conta com um grupo dedicado para definição de normas que irão regular as conexões e relações para o desenvolvimento estratégico das cidades inteligentes (ou smart cities). O órgão defende a importância de parcerias entre governos, empresas e universidades como a abordagem pela qual esses projetos serão viabilizados, de maneira que os debatedores presentes citaram diversos casos já aplicados em cidades pelo mundo — e também pelo Brasil, como o sistema de transporte público de Curitiba e o projeto de redução de consumo de energia na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.

A Itália já possui projetos que conseguiram gerenciar a diversidade de dispositivos por meio da implantação de sistemas inteligentes, como o medidor de gás e projetos de redes elétricas, com integração de plataformas. Conforme pontuou o engenheiro Maurizio Vasta, da Telecom Itália, responsável por essas iniciativas, as operadoras de telecomunicações devem definir padrões e promover  a infraestrutura necessária para que haja integração entre as tecnologias.

Dentre outros projetos mencionados, Paulo César Teixeira, CEO da Telefônica, falou sobre o Vivo Clima, que faz parte do investimento da empresa em tecnologias machine-to-machine e a inclusão da sustentabilidade na base de suas ações por meio dessas parcerias estratégicas como forma de promover o desenvolvimento das cidades por meio das TICs.  O Vivo Clima, com participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), visa minimizar o tempo de respostas de situações de riscos meteorológicos e desastres naturais. No total, serão instalados 1.500 pluviômetros até o fim do ano em torres de celular. Eles serão ligados à rede de telefonema móvel da Vivo para monitorar índices e possibilitar a tomada de medidas de prevenção.

Tornar uma cidade mais inteligente por meio de tecnologias, aproveitar o conhecimento já acumulado e promover a troca de experiências, sempre considerando a complexidade e as diferenças presentes nesses centros, é o que dá sentido o conceito de smart cities, argumentou o cientista político da Unesco para a América Latina e Caribe, Guilherme Canela. Por isso, há necessidade de buscar soluções capazes de aproveitar e integrar as tecnologias existentes com outras mais inteligentes.

“Não dá para pensar na mesma política de cidade inteligente para São Raimundo Nonato e São Paulo”, afirmou o cientista. Segundo ele, iniciativas como e-government e uso de TICs na educação não irão promover mudanças e trazer benefícios se velhos mecanismos operantes forem mantidos. “As pessoas estão reivindicando mais transparência nos modelos políticos e se não sairmos do minimalismo e pensarmos em uma política pública para as cidades inteligentes, baseada na transparência e cooperação, veremos mais manifestações.”

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