Carreira

Pearson: no Brasil, 32% dos empregos estão sob alto risco de automação

No Brasil, a demora para que um trabalhador se recoloque no mercado de trabalho responde por quase dois terços das perdas econômicas totais, ou R$ 701 bilhões, do chamado ciclo do trabalho, que inclui a passagem entre escola e mercado, trocas de emprego e a automação. Nas demais sete economias avaliadas, é a automação que tem o maior impacto.

O dado faz parte do estudo Lost in Transition Brasil (Perdido na transição, em tradução livre), divulgado recentemente pela Pearson. A edição brasileira faz parte de uma série de estudos lançada no último Fórum Econômico Mundial, e estima que o País perde anualmente cerca de R$ 1,08 trilhão, ou 9% do PIB, devido às falhas nos momentos de transição do ciclo do trabalho.

A pesquisa analisou dados de Austrália, Canadá, Arábia Saudita, Reino Unido, Estados Unidos (individualmente as economias de Nova Iorque e Califórnia), além do Brasil. Embora todas as economias estejam sendo afetadas por mudanças tecnológicas e estruturais envolvendo aprendizagem e qualificação, o Brasil é o que mais perde valor econômico nas fases de transição.

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A Califórnia aparece em segundo lugar no ranking, com impacto equivale a 4,8% do PIB, metade do brasileiro. O estudo indica que mais de 20% dos desempregados brasileiros permanecem sem ocupação por mais de dois anos, com uma duração média de 42 semanas, muito acima do observado em países como Canadá (18) e Reino Unido (32).

“Os resultados da pesquisa mostram que o Brasil não está perdendo valor econômico apenas por causa da automação, mas porque muitas pessoas demoram demais para se reconectar ao mercado de trabalho. Essa demora tem um custo alto para o País, em produtividade, em renda e em desenvolvimento humano”, diz em comunicado Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil.

De acordo com o estudo, 32% dos empregos brasileiros estão sob alto risco de automação, sobretudo em setores industriais e agrícolas. Ao mesmo tempo, 24% dos jovens entre 18 e 24 anos estão caracterizados como ‘nem-nem’, não estudam nem trabalham, uma das taxas mais altas do mundo, segundo dados da OCDE.

Para a consultoria, são fatores que reforçam “a urgência de políticas que combinem requalificação profissional, apoio à transição de carreira e estímulo à aprendizagem contínua”.

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