O anúncio mais importante da Amazon na quarta-feira (28/09) não foi a apresentação de seu tablet Kindle Fire, e sim o navegador de rede que será lançado junto com ele, o Amazon Silk.
O browser é baseado no WebKit, um mecanismo de navegação open source que ftambém é usado no Safari e no Chrome. Mas a ascendência técnica do Silk não é tão importante quando sua dupla personalidade: o navegador pode operar de forma tradicional, em modo off-cloud, mas também pode tirar vantagem da infraestrutura da computação em nuvem da Amazon para otimizar arquivos de páginas de rede para eles carregarem mais rapidamente.
No “modo nuvem”, o Silk se apoia no Amazon Web Services como um serviço de proxy: a empresa se torna o meio responsável para completar o pedido de página de rede do usuário. Imaginem quão útil todos esses dados serão para a companhia como inteligência de negócio.
Chester Wisniewski, consultor de segurança sênior na Sophos Canada, afirmou que o Silk apresenta um problema óbvio. “Todos seus hábitos de navegação de rede irão transitar pela nuvem da Amazon. Se você acredita que o Google AdWords e o Facebook estão espionando você, esse serviço irá gravar tudo o que fizer na rede”.
O que a empresa faz não tem precedentes.
Como um ISP, a companhia terá acesso aos dados acerca das atividades da internet dos usuários do Kindle Fire. A Amazon compara inclusive o conhecimento do Silk de seus usuários ao de um ISP.
“Como a maioria dos serviços provedores de internet e similares que permitem o acesso à rede, os conteúdos visitados usando o Amazon Silk passam por nossos servidores e podem ficar armazenado para melhoria de desempenho e subsequente carregamento de página”, a empresa afirma em seu Silk Terms & Conditions.
A empresa observa que armazena temporariamente URLs e identificadores como endereços IP e MAC para ajudar com questões técnicas. “Geralmente não mantemos essas informações por mais do que 30 dias”, afirmou, o que significa que pode ter casos em que os dados são retidos por períodos mais longos.
Mas diferentemente de um ISP, a Amazon também irá apresentar certificados SSL em favor dos usuários, e irão com isso ter ainda mais conhecimento sobre o que os usuários estão fazendo online.
Como observa Wisniewski, uma ordem do tribunal dos EUA facilitaria o monitoramento das atividades online de um usuário Kindle Fire, pelo menos no “modo nuvem”. Outros governos também são propensos a enxergar a Amazon como uma loja de dados infinitos de usuários Kindle Fire, a julgar pela experiência da RIM na Índia e nos Emirados Árabes Unidos.
(Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Thaís Sabatini)
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