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Blockchain será a próxima grande onda?

Nas últimas décadas, TI tem transformado empresas, indústrias e a economia em geral. Em seus primeiros anos, empresas adotavam tecnologia da informação principalmente para automatizar processos existentes.
Foi então na década de 1990, com o trabalho pioneiro de Michael Hammer e outros, em reengenharia de processos de negócios, que companhias perceberam que apenas automatizar processos existentes não era suficiente. Em vez disso, para atingir a promessa da TI, foi necessário reformular fundamentalmente suas operações, examinar de perto o fluxo de trabalho em toda a organização, e eliminar processos antigos que já não acrescentavam valor para o negócio.
O setor bancário foi um dos primeiros a automatizar processos de back-end e front-office e de abraçar mais tarde, internet e smartphones. A transformação da infraestrutura de bancos, no entanto, aconteceu mais tarde.
“Com avanços da tecnologia, a relação que clientes tem com o banco e com as finanças mudou”, observa relatório lançado recentemente pelo Citigroup. “Apesar de todo investimento e especulação contínua sobre os bancos em risco de extinção, apenas cerca de 1% da receita de bancos nos Estados Unidos migrou para novos modelos digitais”, indica o levantamento.
Irving Wladawsky-Berger, ex-executivo da IBM e afiliado do MIT, destaca a potencial evolução desse setor em infraestrutura de pagamento. Ele observa que transformar o complexo ecossistema global de pagamento provou ser muito difícil.
Essa mudança exige estreita colaboração de seus diversos públicos, incluindo uma variedade de instituições financeiras, comerciantes de todos os tamanhos, reguladores do governo em quase todos os países, e um grande número de pessoas ao redor do mundo. “Poderia o blockchain agora ser o catalisador necessário para a evolução dos ecossistemas legados de pagamento?”, questiona.
Ele lembra que a tecnologia surgiu em 2008 com o bitcoin, moeda digital mais conhecida. De lá para cá, o blockchain mantém a promessa de revolucionar a indústria financeira e outros aspectos da economia digital, retomando antigo conceito da contabilidade na era da internet.
Berger relata que há ineficiência no processo atua de pagamento, reforçado recentemente em texto de Quentin Hardy, no jornal New York Times. Segundo o texto, em um mundo onde cada empresa tem seus livros de registro, pagamentos tendem a parar e iniciar entre os diferentes livros.
Uma transferência no exterior deixa a contabilidade de um negócio, em seguida, vai em outra contabilidade de um banco nacional. Depois, pode bater a contabilidade de um banco no sistema de transferência internacional. Ele viaja para outro banco no país estrangeiro, antes de acabar na contabilidade da empresa a ser paga. Cada vez que ele se move para um livro diferente, o dinheiro tem uma identidade diferente, causando confusão no tempo. Para algumas empresas, é um pesadelo que não pode terminar em breve.
Livros distribuídos baseados em blockchain poderiam fazer para os sistemas financeiros globais o que a web tem feito para os sistemas de cadeia de suprimentos globais. Como observa o relatório do Citi, blockchain “poderia substituir o trilho de pagamento atual de compensação centralizada em um livro distribuído para muitos aspectos dos serviços financeiros, especialmente no mundo do B2B. Mas mesmo que o blockchain não substituta a atual infraestrutura financeira do núcleo, pode ser catalisador para repensar e sistemas legados que poderiam trabalhar de forma mais eficiente”.
O relatório sintetiza quatro grandes benefícios do blockchain:
• Fim da intermediação: permite propriedade direta e transferência de ativos digitais, reduzindo significativamente a necessidade de camadas intermediárias.
• Velocidade e eficiência: reengenharia, ou redução, de etapas desnecessárias intermediárias. Isso resulta em menores custos globais e modelos de negócios mais eficientes.
• Automação: programação permite a automação de capacidades no Ledger, que pode ser executada uma vez que as condições acordadas sejam cumpridas.
• Certeza: trilhas de auditoria de todo o sistema tornam possível rastrear o histórico de propriedade de um ativo, fornecendo provas irrefutáveis da existência, prova de processo e prova de proveniência.
Naturalmente, o blockchain está em seu estágio inicial e não apresenta a maturidade de outros sistemas financeiros. Substituir métodos legados não será tarefa simples, reconhece Berger. Para ele, podem mudar o jogo, no entanto, parcerias entre universidade, unidades de pesquisas, empresas e governos.

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