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BlackBerry 10 é opção para usuários hiperconectados e multitarefa

Em uma apresentação que foi cheia de música e vídeos – e lamentavelmente poucos detalhes – a Research in Motion lançou dois novos celulares na tentativa de restaurar sua sorte no mercado de smartphones. A empresa colocou quase tanto peso nisso quanto em sua mudança de nome para BlackBerry (a abreviação muda de RIMM para BBRY na Nasdaq), mostrando o desenvolvimento de alguns dos principais aplicativos populares de smartphones que farão parte do catálogo BlackBerry 10, bem como vídeos de desenvolvedores e usuários entusiastas, trazendo ao palco a cantora Alicia Keys como “diretora criativa global” da empresa.

A mudança do nome é uma medida para mudar a imagem enquanto começa a promover uma nova leva de smartphones, a linha BlackBerry 10. Em vez de Research In Motion, nome usado desde sua fundação em 1984, ela passará a ser conhecida como BlackBerry Ltd

Segundo Heins usuários já compram smartphones “da BlackBerry”, e
funcionários trabalham “para a BlackBerry”, então a adoção do nome do
produto que tornou a empresa famosa é algo natural.

A companhia vai implementar uma alteração legal em seu nome após seus
acionistas aprovarem uma resolução com esse efeito mais tarde neste ano,
disse uma porta-voz. A alteração indica a profunda atenção dedicada pela companhia à
publicidade em meio ao lançamento de um produto considerado crucial para
sua sobrevivência.

Esse lançamento era esperadíssimo pelo mercado. Foi adiado diversas
vezes. Com os novos modelos a ex-RIM, agora BlackBerry quer recuperar o
terreno perdido, especialmente para Apple, no mercado corporativo.  O
envelhecido portfólio de aparelhos da RIM teve dificuldade de competir também 
com a ampla
galeria de aparelhos Galaxy, da Samsung.

Hoje, o mercado reagiu mal aos anúncios da empresa. As ações da RIM na Bolsa de Valores de Toronto
chegaram a cair 8%, e às 14h13 exibiam perdas de 6,08%, cotadas a 15,10 dólares canadenses.

Os aparelhos
São dois
os primeiros aparelhos equipados com seu novo sistema operacional, o
BlackBerry 10: o Z10, um smartphone sensível ao toque, equipado com uma tela de 4.2″ e o Q10, que segue a linha dos aparelhos tradicionais da empresa, com um
teclado físico e uma tela “quadrada” de 3.1 polegadas. Atenção especial foi
dedicada ao teclado virtual no Z10, que segundo o CEO da empresa,
Thorsten Heins, é “o melhor do mercado”.

O novo sistema operacional tem uma interface baseada em gestos e
multitarefa verdadeira. Se integra a redes sociais, como o Facebook,
permite a definição de múltiplos perfis para o mesmo usuário (como
Profissional para o horário do trabalho, Pessoal para as horas vagas) e
traz um navegador web “incrivelmente rápido e intuitivo”.

O BlackBerry Messenger, sistema de mensagens que é um dos mais
populares recursos da plataforma, foi aprimorado e agora permite
videochamadas e o compartilhamento de telas.

A companhia tem bajulado os desenvolvedores de aplicativos, e hoje o catálogo online da BlackBerry World conta com mais de 70 mil aplicativos, incluindo famosos nomes globais em jogos, redes sociais e outras categorias.

Mas no centro da apresentação estava a interface única de usuário, apelidada de BlackBerry Flow. Desenvolvida sobre o novo kernel do sistema operacional, apresenta um novo conjunto de gestos que podem ser utilizados com o que parece ser uma integração profunda de contatos, calendários, rede social,  atualizações e mensagens por meio do BlackBerry Hub.

Tanto o Flow quanto o Hub parecem ser o foco para a abordagem de marketing da BlackBerry. Um dos comentários mais importantes durante um Q&A após o evento principal foi feito por Frank Boulben, diretor de marketing. Ele foi questionado sobre como a BlackBerry iria atrair novos usuários ou consumidores de smartphones existentes .

“Nós fizemos ampla pesquisa de mercado [de usuários finais]”, disse ele. Esse estudo identificou um grande grupo que a BlackBerry chama de ‘hiperconectado’ e ‘multitarefa’”, cerca de um terço de todo o mercado, de acordo com Boulben. “Estamos tentando atrair não apenas a base existente do BB, mas um público muito mais amplo”. De acordo com ele, “mais do que a metade de todos os canadenses que se inscreveram até agora para celulares BlackBerry 10 não são atuais usuários de BB.

A empresa parece confiante de que pode atrair e convencer um grande número de usuários, mesmo em mercados maduros, como os EUA e o Canadá. O iPhone tem 6 anos de idade, o Android tem muitos telefones (mas apenas alguns poucos modelos que se aproximam do sucesso do aparelho da Apple). A avaliação do BlackBerry é que o sistema operacional e a interface do usuário são a próxima evolução na forma como as pessoas já estão esmiuçando seus smartphones, movendo-se, como o presidente e CEO da BlackBerry, Thorsten Heins, diz, da comunicação móvel para a computação móvel.

Data de lançamento
Ainda não há informações
sobre preços ou data de lançamento dos primeiros aparelhos com o BlackBerry 10.

Segundo o presidente-executivo da
companhia, Thorsten Rains, os modelos com tela sensível a toque só chegarão às
prateleiras norte-americanas em meados de março, enquanto no Reino Unido, o
modelo já poderá ser adquirido na quinta-feira. O atraso
deve-se a testes com operadoras nos EUA. Outros países também terão os
dispositivos à medida que as operadoras completam os testes. Já os aparelhos com teclados físicos
serão disponibilizados globalmente em abril, afirmou o executivo à Reuters.

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