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Black Mirror tem muito a ensinar ao varejo

Sucesso
de audiência e crítica, a série “Black Mirror”, do Netflix, tem chamado
a atenção por abordar a influência da tecnologia na vida das pessoas.
Cada episódio traz uma história com ambientação e personagens inéditos,
interligados apenas por um tema: a tecnologia. A produção mostra o
impacto dos avanços tecnológicos em um futuro distópico, apresentado por
meio de uma narrativa não linear.

Um
dos conceitos apresentados é a Internet das Coisas (IoT), que consiste
em conectar à Internet dispositivos eletrônicos utilizados no dia a dia,
como aparelhos eletrodomésticos, dispositivos móveis, máquinas
industriais, meios de transporte, entre outros. Segundo estimativa do
Gartner, o mercado global já conta atualmente com mais de 8 bilhões de
aparelhos IoT ativos e conectados, e este número pode chegar a 50
bilhões até 2020, de acordo com a Frost&Sullivan. A IoT será parte
do futuro, não só para a condução de empresas, mas também em nossas
vidas.

Experiências diferenciadas fidelizam o cliente
No mundo que “Black Mirror” apresenta em Nosedive,
primeiro episódio da terceira temporada, as pessoas são avaliadas a
cada serviço prestado e consumido, a cada interação e foto postada. O
dia a dia é uma avaliação gamificada constante. Hoje em dia muita coisa
já funciona assim. Avaliações positivas sobre um serviço geram
credibilidade. No varejo, uma loja que oferece uma experiência de compra
diferenciada fideliza seus clientes.

No capítulo é apresentada uma espécie de dashboard
com todas as amizades de um indivíduo na rede social, exibindo desde os
amigos próximos até os distantes. Essa tecnologia recolhe dados das
mídias sociais do perfil para ajudá-lo a aperfeiçoar sua nota. 

Hoje,
dispositivos IoT voltados para o varejo já operam de forma semelhante,
usando os dados fornecidos pelos smartphones dos clientes. Esses
sensores têm a capacidade de monitorar e identificar consumidores,
viabilizando ao gestor do estabelecimento o de uma rede de lojas o
acesso a indicadores como a quantidade de visitas no estabelecimento,
qual o tempo médio de permanência, com qual frequência ele retorna e
qual a taxa de conversão. É como emular um sistema de Web Analytics, mas
dessa vez para o varejo off-line.

Em
uma época de instabilidade econômica e com a concorrência cada vez mais
forte, ter inteligência na gestão alavanca o crescimento dos negócios. O
conceito de IoT permite extrair com mais facilidade as análises das
operações, e assim gerar relatórios que indiquem a eficiência do
estabelecimento.

O
mercado tem aderido a muitas ações que visam a engajar os consumidores
com suas marcas favoritas, e neste contexto torna-se importante usar a
tecnologia para ter um relacionamento mais próximo do cliente, como a
maioria dos e-commerces já faz. Em futuro não tão distante, assim como
na série, o varejo físico poderá desfrutar de um banco de dados
completo, com todas as informações de seus clientes. Ganham ambos: o
consumidor com uma experiência aprimorada, e o setor com a possibilidade
de aumentar seu faturamento.

  

(*) Walter Sabini Junior é sócio fundador da FX Retail Analytics

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