Ferramentas de Big Data surgem como uma das grandes promessas para CIOs das companhias, com expectativas de análises pela correlação de grandes volumes de dados estruturados e não estruturados, realizada com grande velocidade e em função de objetivos de negócio. Além do desafio de manejá-las, elas expõem um paradoxo do futuro papel do CIO: governança x descontrole.
Isso porque o Big Data permite que usuários de outros departamentos realizem os cruzamentos de informações a fim de tirar proveito do que é útil para o negócio. ?Não há necessidade de tudo passar pela TI, criando cubos de informação. Quando um diretor faz uma pergunta específica ao negócio, os responsáveis não podem levar semanas nem meses para dar uma resposta. É natural que a área de negócio encontre uma solução que encurte esses tempos?, defende o gerente de produtos de high-performance analytics do SAS, Marcos Pichatelli.
Por isso não é surpresa que, hoje, menos da metade (40%) das aquisições de TI não passem pelo crivo do CIO para serem realizadas, conforme dados da IDC. Em 2017, esse porcentual se reduzirá pela metade. As áreas que lideram essas compras são contabilidade, finanças e marketing, porque não há necessidade de implementação complicada ? são projetos que levam apenas alguns meses para serem concretizados.
Essa realidade contrasta com a contínua preocupação com a governança entre os diretores de TI. Pichatelli, contudo, acalma os ânimos. ?Não é necessariamente ruim. O papel da TI tradicionalmente é reduzir o custo da tecnologia através da padronização. Mas se todo mundo usar a mesma coisa, ninguém se diferencia e nenhuma empresa terá vantagem competitiva?, expõe o especialista em BI e Big Data. Segundo ele, é positivo que existam ?pequenos grupos de contracultura? dentro da organização.
Oportunidade
Por isso, essa é a hora do tão falado ?perfil estratégico do CIO?. O momento é crucial para essa virada de chave porque nas palavras de Pichatelli, ?os dólares de TI diminuem, mas os dólares do negócio aumentam?. É uma evolução natural, à medida que a tecnologia da informação se afasta de utilities e se aproxima de inteligência analítica e análises preditivas.
?Não há como dissociar o Big Data da chamada ?terceira plataforma? [conceito da IDC que une mobilidade, nuvem, mídias sociais]?, conclui o especialista. ?O Big Data não aconteceu num instante, não é uma ruptura. Eu diria que é um fenômeno porque cruzamos a barreira da internet e da conexão, estamos entrando na era da internet das coisas e temos que trabalhar com as consequências disso?, teoriza.
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