Aventuras e desventuras de um viageiro

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10:52 am - 09 de maio de 2012

Itália

Na Itália eu realizei um sonho que cultivo desde a adolescência (e olhe que já faz é tempo que adolesci…): dirigir na Autostrada del Sole. Por isto ? e por outras razões, inclusive de família ? desembarquei em Veneza onde, ao partir alguns dias depois, aluguei um carro que me levou a Roma.

Na Itália tem TIM em toda a parte (o que não é de admirar, já que a empresa chama-se “Telecom Italia”). O que não tem são vendedores competentes e de boa vontade nas lojas da empresa. Em Veneza procurei o cartãozinho em algumas delas. Na primeira, desisti quando a gentil senhorinha que me atendeu, para saber se eu teria ou não que apresentar meu passaporte para adquirir o cartão, perguntou à colega de balcão se o Brasil fazia parte da Comunidade Europeia. Achei que, mesmo que em sua loja houvesse o cartão, ela dificilmente conseguiria fechar o contato entre seus quatro ou cinco neurônios para fazer a configuração. Agradeci e me despedi.

Hospedei-me no Hotel Giorgione. Também em excelente localização (é muito difícil não ser bem localizado em Veneza; quem conhece a cidade sabe por que e quem não conhece sugiro enfaticamente que conheça: é uma das três ou quatro cidades mais belas do planeta, qualquer ponto dela em que se esteja é deslumbrante), pequeno, acolhedor, confortável e com um serviço excelente. Recomendo a quem não precisar de Internet durante sua estadia por lá. A quem precisar fica difícil. É verdade que ele oferece conexão WiFi gratuita, mas não no quarto: no saguão do hotel. Aliás, não no saguão, mas no bar do térreo. Quer dizer, não exatamente no bar, mas na sala de jogos que fica ao lado. Mas nem sempre na sala de jogos, às vezes no bar. Ou no saguão. Pois acontece que por misteriosas razões o sinal viajava fantasmagoricamente por todo o pavimento térreo do hotel, o que fazia com que eu me deslocasse de salão em salão em sua perseguição. Mal dava para manter o correio eletrônico parcamente atualizado. Skype e colunas, nem pensar.

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Figura 4: o SIM da TIM italiana

Voltei então à minha busca pelo cartão SIM. Em uma loja da TIM nas proximidades do hotel encontrei um vendedor mal humorado que me informou que, sim, ele tinha um cartão SIM como o que eu desejava, mas com duas limitações. A primeira é que, diferentemente do britânico, dava direito a transferir apenas 250 MB de dados. A segunda é que, segundo ele, “às vezes funcionava, às vezes não”, dependendo do telefone onde fosse instalado. E o único jeito de saber era comprar um e instalar para testar. Mas, avisou ele, depois de comprado e instalado, não havia como devolver se não funcionasse. Como ele tinha no mostruário da loja um Samsung de modelo muito parecido com o meu, perguntei se funcionava naquele, pois o meu era quase idêntico. Ele retrucou que isso não queria dizer nada, já que o que estava no mostruário “era italiano” e o meu não. Resolvi não perder tempo discutindo a nacionalidade dos telefones feitos na Ásia e fui direto ao ponto: quanto custa?

O cartão custava um pouco mais caro que o londrino: 22 Euros, cerca de R$ 50. Mas como eu iria permanecer muito mais tempo na Itália que em Londres e, sobretudo, como eu iria viajar dirigindo eu mesmo e nestas condições saber minha localização exata em uma região rural era essencial, resolvi arriscar. Comprei e instalei.

Não funcionou. E por mais que eu insistisse com o cavalheiro solicitando ajuda na configuração, desisti depois de dois ou três rosnados e, antes que ele passasse para a fase seguinte e me mordesse, saí da loja com um cartão aparentemente inútil no telefone.

Resultado: durante minha estadia em Veneza, fiquei praticamente sem Internet. Mas querem saber de uma coisa? Em Veneza Internet não faz a menor falta…

De carro (com GPS) alugado, saí de Veneza e fui diretamente a Pádua, não muito distante. Logo na entrada da cidade havia um grande centro comercial onde parei para fazer um lanche e procurar orientação, já que eu jamais havia estado por lá. E, por acaso, me deparei com uma loja da TIM. Será que alguém ali não poderia me ajudar com o cartão SIM? Resolvi arriscar. Afinal, não custava nada.

Encontrei uma fada. Se não era, parecia: uma atendente bonita, educada, delicada, com boa vontade, inteligente e, sobretudo, conhecedora de seu ofício. Depois que expliquei o problema, em menos de três minutos ela fez as configurações necessárias e meu até então inútil cartão SIM passou a funcionar e me dar acesso à Internet não apenas no telefone como no tablete. Como, a partir daquele momento passei cinco dias viajando quase a esmo pelo interior da Toscana, a possibilidade de saber a cada momento minha localização no Google Mapas do tablete foi de um valor inestimável. E depois, em todo o período que passei em Roma, continuou sendo útil.

Como se vê, não é só no Brasil: também no velho mundo a qualidade do atendimento deixa muito a desejar e os profissionais que atendem o público com competência são a exceção, não a regra.

Hotéis, dali em diante, só em Florença, Siena e Roma. Todos com Internet gratuita e rápida no próprio apartamento (se bem que no hotel Mediterrâneo, em Florença, para que a minha funcionasse foi preciso me desavir com o gerente; mas nada que uma boa bronca ? que meus amigos chamam carinhosamente de “piropice” ? não tenha resolvido).

É claro que de qualquer deles eu poderia ter editado e postado pelo menos uma coluna.

Mas, digam-me lá: na Toscana, rodeado de vinhedos e pequenas cidades milenares, e em Roma, uma festa diuturna, quem iria conseguir?

Resultado: pela primeira vez em mais de duas décadas que escrevo sobre tecnologia, tirei férias também como colunista.

Eu sei que vocês hão de compreender e desculpar este velho amigo que daqui para frente vai procurar se manter em dia com vocês.

Afinal, por melhores que tenham sido as férias, é muito bom estar de volta escrevendo para vocês…

B. Piropo

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