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Até 2017, áreas de negócios responderão por metade dos gastos com TI

Se sua empresa quer tornar-se digital, mas concentra o foco da inovação na tecnologia, você está fazendo isso errado, CIO. Se hoje as pessoas já passam o dia inteiro conectadas a seus smartphones, imagine como será a interação com outros objetos que também serão digitais quando a tendência de Internet das Coisas explodir?

Aqui, então, temos um conflito, que faz com que a mentalidade dos líderes de TI continue arraigada em antigas abordagens, ainda presas ao mundo analógico. “A base tradicional da TI – incluindo o desejo de controlar todas as variáveis – está colidindo com a fluidez do comportamento humano”, apontou o analista e diretor global do Gartner, Peter Sondergaard, à uma plateia composta por mais de 8 mil CIOs, durante evento global da empresa de consultoria e pesquisa, realizado nos Estados Unidos.

A mensagem do analista do Gartner é clara: TI deve começar a pensar em design, recursos e entrega com foco nas pessoas, ou o que ele chamou de “digital human” – que na verdade não é nada mais do que já somos hoje, ou seja, seres humanos completamente conectados pela tecnologia. Trata-se de voltar os olhares para a experiência dos consumidores com as tecnologias, e não pura e simplesmente para a tecnologia.
A permanência da velha abordagem (voltada exclusivamente para a tecnologia) tem feito muitas organizações perderem oportunidades de inovar em seus mercados de atuação. Um exemplo dessa mudança de visão, citado pelo especialista, é o caso da instituição financeira Saxo Bank, da Escandinávia. O banco passou a utilizar a experiência dos clientes como base para orientar o trabalho de consultores de investimento em tempo real. A medida de sucesso aqui está nos consumidores que fazem parte dessa rede, e não nos consultores.
Em um contexto da economia digital, em que toda empresa acaba por se tornar também uma companhia de tecnologia, o Gartner destaca três transformações inevitáveis:
Mudança no poder: toda unidade de negócio agora é uma startup de tecnologia, já que marketing, RH, logística e vendas investem em tecnologias para proporem novas soluções de negócio. Segundo o Gartner, 38% dos gastos com TI hoje acontecem fora do departamento de TI. Daqui três anos a proporção será de 50%, projeta o instituto de pesquisas. Sem contar que teremos 50% da força de venda dos fornecedores de tecnologia vendendo direto para as unidades de negócio.

Investimentos na nuvem: contratos de serviços extensos; a complexidade e o tempo para implementação de software; e o longo ciclo de reposição do hardware já não cabem para essas startups digitais que estão nascendo dentro das empresas. Elas vão optar cada vez menos por hardware e utilizar mais software em nuvem. Até 2018, os negócios responderão por somente metade da capacidade dos servidores do mundo.
Desenvolver talentos: à medida que as empresas contratarem mais serviços externos de tecnologia, sob modalidades de contrato mais curtas, a tendência é que seja necessário cada vez menos profissionais na equipe de TI – alguns departamentos terão um quarto do time que possuem hoje, estima o Gartner.
Enquanto hoje os profissionais de TI especializados em mobile, experiência do usuário e big data (data scientis) estão no topo, em 2020 veremos novos papéis emergirem, como especialistas de integração, arquitetos de negócio digitais, analistas regulatórios, profissionais especializados em riscos etc.

Diante desse novo cenário, o Gartner destaca que apesar de os CIOs considerarem que estão liderando essa mudança digital, apenas 15% dos CEOs concordam. O analista Peter Sondergaar sugere, então, dois caminhos para a TI: fazer parceria com essas startups de tecnologia ou encubar suas startups de tecnologia – essa TI “bimodal” permitirá proteger e manter operações atuais e oferecer agilidade e experimentação necessárias à inovação. 

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