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As tecnologias por trás das plataformas de streaming como Netflix e Disney+

A Disney lançou nos Estados Unidos o seu novo serviço de streaming de vídeo, o Disney+, que tem chegada no Brasil prevista para novembro de 2020. A plataforma traz algumas características que impressionam, como tecnologias digitais avançadas, incluindo a transmissão de conteúdos em resolução 4K, imagem com padrão HDR (High Dynamic Range) e som Dolby Atmos, além de possibilidade de fazer até quatro streamings simultâneos.

Com tudo isso, os fãs já se preparam para maratonar por horas, assistindo aos filmes de ação do universo Marvel ou Star Wars. Só não se pode esquecer que, para proporcionar todo esse tempo de entretenimento, uma liga de super-heróis de TI trabalha incansavelmente nos bastidores.

Independente do provedor de mídia digital OTT (over-the-top) que você usa, seja Netflix, Amazon Prime Video, ou em breve o Disney+, todos precisam fornecer conteúdo de vídeo com velocidades e capacidade de resposta extremamente altas para ganhar a fidelidade dos espectadores.

Segundo um estudo da Cisco publicado no início do ano, até 2022 o tráfego de vídeo representará 82% de todo o tráfego IP de consumidores e empresas globalmente. O papel crucial que uma infraestrutura digital desempenha na transmissão de entretenimento costuma ser negligenciado.

A forma como são projetadas, desenvolvidas e operadas influencia diretamente a capacidade dos provedores de mídia digital de proporcionar uma experiência de visualização de qualidade em quatro dimensões principais:

  • Largura de banda, pois os espectadores querem streaming de vídeo variados e de alta resolução;
  • Consistência, porque a taxa de transferência da internet pública pode ser imprevisível;
  • Latência, que influencia o tempo entre o espectador apertar o “play” e começar a assistir ao vídeo;
  • Custo, que é uma relação entre a quantidade de largura de banda usada e a distância percorrida pelo conteúdo na rede.

Para superar esses desafios e oferecer um streaming de vídeo sem interrupções, os provedores de conteúdo e mídia digital (CDM, na sigla em inglês) precisam analisar profundamente a infraestrutura digital que fornece os streamings de vídeo.

Essa infraestrutura digital engloba um conjunto de operadoras de telecom interconectadas que, por sua vez, são integradas por meio de cabos de fibra óptica, roteadores de rede e switches, pontos de troca de tráfego e prédios físicos, tais como as instalações de colocation que abrigam esses equipamentos.

Pela ótica do provedor de CDM há, basicamente, duas abordagens principais na otimização da infraestrutura digital para proporcionar a melhor experiência ao cliente: criar uma estrutura própria ou usar uma infraestrutura existente terceirizando para uma rede de distribuição de conteúdo (CDN, na sigla em inglês).

Diversos provedores de conteúdo são tão grandes que faz sentido construir suas próprias redes de distribuição de conteúdo privado, como por exemplo Akamai, Amazon CloudFront e Google Cloud CDN. A Open Connect da Netflix é uma das mais conhecidas CDNs criadas internamente. Por meio dela, as operadoras se conectam diretamente à CDN da Netflix para regionalizar o tráfego, o que ajuda a resolver problemas de largura de banda, consistência, latência e custo.

Para se conectar à Open Connect, as operadoras usam o chamado “peering”, que cuida dos aspectos técnicos e contratuais da Interconexão entre duas operadoras parceiras. O peering acontece em pontos de troca de tráfego por todo o mundo. Quando um provedor de CDN cria sua própria CDN, ou usa a de um provedor de CDN terceirizado, ele está tentando resolver o mesmo conjunto de problemas aqui mencionados.

Eles podem resolver melhor tais problemas se estiverem presentes em uma infraestrutura de TI, data centers e Interconexão distribuída globalmente, que ofereça acesso direto a uma variedade de operadoras de telecom, provedores de cloud e provedores de Internet.

Por trás da rede de distribuição de conteúdo estão os ecossistemas digitais e industriais que formam a supply chain de mídia digital. É imprescindível ter uma plataforma global de Interconexão e colocation que atenda às necessidades de largura de banda, consistência e streaming de vídeo de baixa latência.

*Nathan Record é diretor de marketing de produtos da Equinix

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