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Artigo: 60% dos aplicativos da App Store nunca foram baixados

Quando se vislumbra a carreira de desenvolvedor de aplicativos para dispositivos móveis, ela parece ser bastante encantadora e promissora. De fato ela é, mas há senões. Só em 2011, o mercado internacional de apps movimentou cerca de 6,8 bilhões de dólares e, até 2015, essa quantia pode chegar a algo entre US$ 25 bilhões e 38 bilhões ao ano, de acordo com as consultorias MarketsandMarkets e Forrester Research. Sabe-se ainda que o salário de um desenvolvedor no Brasil pode chegar a mais de 10 mil reais mensais.

A princípio, qualquer pessoa pode desenvolver um aplicativo. Não há pré-requisitos de escolaridade, basta conhecer um pouco de programação e gostar de computador e celular. A própria Apple disponibiliza um vasto material para leitura na Web, além de vídeos com aulas de Stanford no iTunesU e exemplos de código para aqueles que querem aprender os primeiros passos de programação. Em função disso, muitas pessoas acreditam que apenas com uma boa ideia, é possível fazer um aplicativo estourar e com ele faturar milhões.

Mas, na realidade, não é bem assim que acontece! Dos cerca de 700 mil aplicativos presentes na App Store, 60% deles nunca foram baixados. O número é ainda mais assustador quando se descobre que somente 2 mil aplicativos para iPhone conseguem resultados relevantes. Além disso, outra dificuldade é prolongar a vida útil do aplicativo – exemplos de apps que surgiram, rapidamente se tornaram um sucesso de downloads e, na mesma velocidade, caíram no esquecimento dos usuários não faltam.

E qual é a receita de sucesso para um aplicativo? Primeiramente, é importante que ele tenha um design agradável e possibilite uma navegabilidade tranquila, sem transtornos para o usuário. Dizemos que tecnologia boa é aquela que passa despercebida. Além disso, e mais importante, é que se pense o aplicativo como uma empresa, criando planos de negócios, marketing e financeiro. O desenvolvedor deve pensar como ele pode transformar o aplicativo em um negócio lucrativo e de vida longa.

Nesse cenário estão inseridas as incubadoras e aceleradoras de aplicativos móveis. São empresas que ajudam os desenvolvedores e startups com infraestrutura, mentoring e financiamento. Ou seja, essas empresas reúnem grupos de desenvolvedores e pequenos empresários e oferecem a eles serviços de marketing, contabilidade e jurídico, por exemplo, além de ajudá-los com conselhos e dicas de como tornar o projeto mais viável financeiramente. Em troca, as aceleradoras e incubadoras ficam com uma porcentagem dessas startups.

Um outro modelo, ainda novo no Brasil, é das Venture Builders. Assim como as incubadoras e aceleradoras, elas fornecem estrutura e os serviços básicos para os desenvolvedores e startups, mas o diferencial é que a Venture Builder capta projetos em todas as suas fases de desenvolvimento, desde apenas ideias, até aplicativos já prontos que estão necessitando apenas de financiamento ou ajuda na área de marketing, por exemplo. O que varia, nesse caso, é a porcentagem da empresa que fica com a Venture Builder.

O crescimento desse mercado de trabalho no país deve acompanhar o aumento das vendas de smartphones. O Brasil chegou à marca de 27,3 milhões de unidades de celulares vendidas durante os seis primeiros meses de 2012. Deste total, 6,8 milhões foram de smartphones, e 20,5 milhões, os chamados feature phones (aparelhos que permitem acesso à Internet, redes sociais e sistemas de mensagens instantâneas, mas sem sistema operacional). Comparando com o mesmo período de 2011, o mercado de celulares em geral sofreu queda de 16% – o de feature phones, de 29%. Porém, os smartphones tiveram alta de 77%.

Mas o crucial é que o crescimento do mercado acompanhe a profissionalização do setor, com profissionais cada vez mais preparados e que desenvolvam aplicativos mais ricos, com interatividade com as redes sociais e que sejam lucrativos para seus desenvolvedores e para as empresas que investiram nele.

* Alex Barbirato é diretor geral da incube, uma Venture Builder e fábrica de aplicativos móveis

**As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação

 

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