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APIs: a nova economia

Quando era criança, lembro-me de meu pai pedindo para fazer o pagamento da conta de telefone. Isso significava perder a manhã em uma fila para pagar diretamente no escritório da empresa de telefonia. Felizmente o mundo mudou. Hoje, a interação entre as pessoas e as empresas precisa ser conveniente, rápida e efetiva. Quem conseguir ficar mais próximo do seu cliente levará vantagem e terá melhores chances de conquistar mercado. Nesse contexto, a tecnologia facilita essa proximidade.

Um exemplo disso é a Internet de Todas as Coisas (Internet of Things): em termos de proximidade, existe algo melhor do que obter informação de coisas cotidianas dos clientes? Eletrodomésticos que controlam estoques de comida; carros que recebem comandos de bloqueio; celulares que informam sobre a conta bancária. Enfim, inúmeras possibilidades.

Porém, para que tudo isso seja possível, é preciso uma infraestrutura que concentre as informações e garanta condições para a oferta de serviços. E é aí que entram as APIs (Application Programming Interfaces): tecnologia de integração entre sistemas diferentes e independentes, que viabiliza a interação entre os clientes e os serviços oferecidos pelas empresas.

De acordo com Gartner, até 2016, 50% das interações B2B se darão por meio de APIs e esta é a nova economia que está sendo criada. As APIs proporcionam novos modelos de negócio e trazem uma série de vantagens como: aumentar o volume de interações ao facilitar o relacionamento com os clientes; ampliar a notoriedade da marca junto a eles; compreender melhor e mais rapidamente suas necessidades; ser o seu canal preferencial, por meio da diferenciação.

Alguns segmentos saíram na frente e já estão atuando dentro dessa nova economia. Empresas de serviços públicos, por exemplo, já utilizam medidores inteligentes para obter informações de consumo em tempo real e oferecer outros serviços. A área financeira também tem tirado proveito. Algumas instituições bancárias já trabalham em projetos como o “The Open Bank Project”, que busca, via APIs, facilitar o acesso dos clientes. A nova economia API, contudo, criou oportunidades em vários outros mercados.

Porém, como tudo que é novo ela traz consigo alguns desafios: segurança – por exporem serviços que precisam de proteção contra ataques; desempenho – as APIs devem ser rápidas para garantir agilidade de resposta; monitoramento – para avaliar as funcionalidades e captar o real potencial de informação; além de outros, como autenticação, governança, privacidade da informação e transformação de serviços.

Como se vê, o mundo mudou. A questão é saber quem vai se adaptar mais rápido à essa nova ordem.

*Marcelo Ramos é vice-presidente sênior e gerente-geral para América Latina da Axway

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