O mundo dos sistemas mobile e o da Internet das Coisas (IoT) costumavam ser bastantes estáveis e compreensíveis. No entanto, nas últimas semanas, acontecimentos surpreendentes e mudanças estranhas deixaram muita gente coçando a cabeça.
Por isso, separamos algumas das principais perguntas que recebemos sobre essas plataformas – e as suas respostas, obviamente.
Os Pixelbooks vão rodar Windows?
De repente, os profissionais de TI e desenvolvedores que usam Chromebooks passaram a se perguntar se o Pixelbook, do Google, poderá realizar dual-boot para o Windows em breve.
Um usuário da plataforma on-line Reddit descobriu alguns comentários feitos no Chromium Gerrit que está levando algumas pessoas a especularem sobre esse possível recurso. (Gerrit é uma ferramenta de colaboração em equipe para códigos que se integra com o Git.)
Um comentário faz referência a um “conjunto de mensagens para o selecionador de tela AltOS”, que oferece duas opções: “Chrome OS” e “Alt OS”. O que levantou uma questão óbvia: o que é o “Alt OS”?
A pequena evidência para um dual boot com Windows é uma referência a um documento interno do Google chamado “go/vboot-windows.”
O problema é que o Google oferecer Windows nos Pixelbooks é algo que não faz sentido. Os aparelhos da gigante de buscas existem para suportar os seus softwares e serviços.
O que faz um pouco mais de sentido é o Fuchia OS como esse “Alt OS” – mais sobre o Fuchsia abaixo.
Também é possível que o Google queira permitir que empresas, escolas e desenvolvedores realizem mais facilmente um dual-boot em qualquer sistema que quiserem como uma maneira de encorajar tais usuários a testarem o Chrome OS.
Uma variedade de projetos experimentais de sistemas alternativos estão sendo desenvolvidos na comunidade Linux. Eles incluem o GalliumOS, que é baseado no Xubuntu e é feito especificamente para aparelhos Chrome OS. No entanto, o próprio GalliumOS possui um script que habilita os usuários a realizarem dual-boot com o Chrome OS e o GalliumOS.
Então a resposta para a pergunta sobre os Chromebooks rodarem Windows é: talvez, mas provavelmente não.
O Google planeja substituir o Android e/ou o Chrome com Fuchsia?
Já falamos anteriormente sobre o Fuchsia, do Google. É um sistema operacional feito do zero pela gigante de buscas. Enquanto o Android e o Chrome são baseados no Linux, o Fuchsia é baseado em um microkernel Zircon construído pelo Google chamado de Magenta.
O Google já vem trabalhando no Fuchsia há algum tempo, e o sistema pode chegar ao mercado no próximo ano. Atualmente, o Pixelbook é o único aparelho suportado pelo Fuchsia.
O sistema está notavelmente incompleto. Mas você também pode conhecê-lo em um navegador. Como você pode ver, ele se parece muito com um sistema feito para rodar em um smartphone. O seu design é baseado nos cartões do Material Design, do Android.
Em um cenário ideal, o Fuchsia poderia eventualmente substituir o Android e resolver muitos dos problemas mais irritantes do Android.
Em primeiro lugar, o seu kernel Zircon poderia atualizar e aplicar patches continuamente em todas as versões do software. Hoje em dia, o Android possui um problema sério com as fabricantes parceiras de aparelhos, que costumam ser lentas no processo de publicar atualizações e upgrades de sistema. A maior parte dos aparelhos Android do mercado rodam uma versão antiga da plataforma.
O Fuchsia poderia rodar em todos os aparelhos, substituindo não apenas o Android, mas também o Chrome OS.
Outro recurso do Fuchsia, chamado de Ledger, sincroniza todos os aparelhos Fuchsia de propriedade de um único usuário. Desta forma, um laptop, um tablet e um smartphone poderiam ser sincronizados para ter os mesmos apps, documentos e dados.
É possível que todos os apps no Fuchsia pudessem rodar como Android Instant Apps, o que significaria apps rodando sem serem baixados ou totalmente instalados.
Mas tudo isso é apenas especulação por enquanto. Não sabemos realmente para onde o Google está indo com o Fuchsia.
O Google barrou aparelhos Android não autorizados?
A resposta é: não.
No mês passado, no entanto, o Google começou a bloquear sem cerimônia o acesso aos seus próprios apps Android e à Play Store em aparelhos não certificados com firmware criado após 16 de março deste ano.
Para conseguir ter acesso aos apps, os usuários com ROMs customizadas terão de registrar os seus aparelhos em uma lista especial toda vez que realizarem uma reinicialização de fábrica. A iniciativa tem o objetivo de reprimir as fabricantes que não certificam os seus aparelhos enquanto continuam usando apps do Google ou encorajando os seus usuários a baixarem e usarem os apps.
Em outras palavras, o Google está tentando desencorajar as fabricantes de smartphones de existirem em uma área cinzenta entre a versão padrão licenciada do Android e a versão Android Open Source Project (AOSP), que é livre para ser usada, mas não vem com a marca Android ou acesso aos apps e serviços do Google.
Agora as empresas terão de escolher um dos dois caminhos.
A Amazon lançou um navegador web Android “lite”?
A Amazon lançou um navegador web para Android, que é voltado para mercados emergentes em que os usuários provavelmente contam com conexões de baixa velocidade. Até o momento, no entanto, o browser só está disponível na Índia.
Existem alguns fatos estranhos sobre o navegador “lite” da Amazon. De forma bizarra, ele é chamado de “Internet”. Também vale destacar que o aplicativo está disponível na Google Play Store da Índia, mas não na versão indiana da Amazon Appstore.
A plataforma de IoT do Google existe?
O Google vem trabalhando há algum tempo em uma plataforma de IoT chamada “Android Things”. E a Android Things já está entre nós?
A resposta é: mais ou menos. O Google anunciou recentemente que o Android Things Developer Preview 8 está completo em termos de recursos, e é um candidato a ser lançado.
O lançamento real da versão 1 do Android Things é iminente, e virá na forma de um SDK (kit de desenvolvimento de software) para desenvolvedores.
O benefício esperado do Android Things é que criar funcionalidades e apps para aparelhos IoT passará a ser um processo mais rápido e fácil, e que o produto final será mais seguro e funcional do que o gadget de IoT padrão atual.
A Microsoft agora oferece Linux?
A resposta é: sim!
Todo o negócio da Microsoft sempre foi baseado em sistemas operacionais sem relação com o Linux – em particular o Windows desde os anos 1990.
Pois bem. Na última semana, a empresa anunciou uma nova plataforma de IoT baseada no Linux chamada de Azure Sphere.
O novo sistema usa um kernel customizado do Linux otimizado para aparelhos com menor uso de energia. O foco principal da Microsoft com o lançamento é segurança. Uma nova oferta baseada na nuvem chamada de Azure Sphere Security Service lida com a autenticação baseada em certificados para a plataforma. E os servidores do Azure Sphere vão monitorar aparelhos e tráfego em busca de problemas de segurança.
A Apple irá unificar o iOS e o macOS em um sistema único?
A Microsoft colocou o Windows 10 em aparelhos com chips móveis ARM. O Google pode unificar mobile e desktop com o Fuchsia. Mas e a Apple?
Parece que a Apple está direcionada em unificar o iOS e o macOS há anos, com o macOS ganhando interfaces no estilo móvel como o Launchpad e o iOS ganhando recursos no estilo desktop como multitarefa e pastas.
Mas não tão rápido, de acordo com o CEO Tim Cook, que afirmou recentemente que fundir o iOS e o macOS exigiria “diluir um para o outro”. Ele disse que “se você começar a fundir os dois…você começa a fazer trocas e comprometimentos…não acho que seja isso que os usuários querem”. Isso pareceu um “não”.
Lembro de quando a Apple costumava dizer o que os usuários queriam.
De qualquer maneira, Cook estava falando especificamente sobre uma “fusão” dos sistemas. Isso não impossibilita a promessa de um projeto interno de codinome Marzipan que permitiria que apps iOS fossem rodados no macOS.
A maneira para olhar para o Marzipan é que, do mesmo modo que os desenvolvedores iOS podem escolher fazer os apps funcionarem nativamente nos iPhones e iPads, eles teriam uma terceira opção para habilitá-los para funcionarem nativamente no macOS, com suporte para teclados, trackpads e outros recursos desktop.
O iOS e o macOS serão “misturados”? Não. Eles irão trabalhar melhor juntos? Sim.
Como será chamada a nova versão do Android?
Ao que tudo indica, o Android P deverá ser chamado de Popsicle (picolé, em inglês). Saiba mais sobre o novo Android neste especial.
E é isso aí: respostas claras para perguntas que surgiram em meio a mudanças e acontecimentos confusos e surpreendentes nos mercados mobile e de IoT nas últimas semanas.
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